GRAMMY 2013: o que esperar

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É aquela época de novo: nesse domingo, dia 10 de fevereiro, a partir das 23h, teremos o 55º GRAMMY Awards. O Fita Bruta, como no ano passado, vai comentar a festa ao vivo por aqui e pelo Twitter, a partir de 22h. E como eu não quero explicar de novo porque eu gosto do Grammy e ainda perco tempo com premiações em pleno 2013, vou colar o que eu escrevi no início de 2012:

Tal qual seu irmão cinematográfico, o Grammy é um prêmio tão político quanto musical. É sobre quem se comportou bem durante todo ano, quem conseguiu colocar seu produto à mostra e, sim, quem conseguiu vender sua arte naquele intervalo de 12 meses (a Academia considera o um período de outubro a setembro para as indicações). Mesmo quando há algumas boas surpresas, como a vitória do Arcade Fire em Álbum do Ano em 2011, é mais um caso de Golias usando Davi do que Golias sendo derrotado por Davi.

As pessoas podem amar a internet, a Pitchfork, o Soundcloud e o Fita Bruta, mas o Grammy ainda é um daqueles acontecimentos que pautam a discussão das pessoas que discutem sobre música como um todo. Seja sobre o Fun. ou Frank Ocean, nós teremos opinião sobre o Grammy, por mais tautológico que pareça o argumento.

Se em 2012, o clima da premiação era de vacas gordas (prometo trocadilho não foi intencional, polícia), em 2013 há menos o que comemorar. O maior álbum do ano passado ainda foi “21” de Adele e o segundo – “Red” de Taylor Swift – só poderá ser celebrado na próxima edição. A ausência de nomes do hip hop e de Bieber, Pink, Green Day, The Killers, Madonna e Nicki Minaj – os outros grandes lançamentos do ano passado – provam que nem tudo deu certo (ou pareceu certo) num mundo em que Adele tirou férias para casar e ter filhos. Fora a ausência completa de nomes da tal EDM de Guetta, Skrillex e Deadmau5 nas principais categorias, deixando ainda mais claro os sinais de esgotamento do gênero na opinião da própria indústria.

É um ano de futuros one hit wonders, tudo indica. “Call Me Maybe”, “Somebody That I Used To Know” e, talvez, “We Are Young” são candidatíssimas para figurarem numa playlist Revival 2010’s daqui a uns 20 anos. Além disso, o sucesso do Fun. deixa claro uma guinada adulta e roqueira da Academia para o que há de mais conservador na música hoje. Não tiro os méritos do Jack White ou do Black Keys, mas tomá-los como a maior parte do que acontece é algo não só retrógrado, quanto incorreto para uma instituição que tenta anualmente mapear o que rolou de importante na música.

Assim, sobra-nos Frank Ocean, uma espécie de avis rara na música hoje. Sua facilidade em circular entre os grandes (Kanye West, Jay-Z, Beyoncé e Coldplay), os pequenos (Odd Future) e os exóticos (André 300, John Mayer) só não é maior que seu talento, que já era visível em “Nostalgia, ultra.” e se expande em níveis cósmicos em “channel ORANGE”. Ele parece ser um cara legal, uma espécie de Stevie Wonder para nossa geração, alguém que apesar de seus dramas pessoais consegue expressar uma certa aura de positividade e de música como salvação. Ainda que sua trajetória tenha sido marcada por algumas polêmicas – a briga com a gravadora, os problemas com as letras do Odd Future, a saída do armário, a recente briga com Chris Brown – nenhuma dela foi capaz de eclipsar o trabalho de Ocean como compositor, produtor e intéprete, um fato raro num ambiente que é tão media driven como o pop americano. Nós estaremos torcendo por ele.

A cerimônia ainda deve ser marcada pela sombra do aniversário de 1 ano da morte de Whitney Houston, apesar de nenhuma homenagem ter sido anunciada oficialmente. Confirmado está um número musical com Mumford & Sons, Elton John e Alabama Shakes celebrando a obra de Levon Helm do The Band, morto em abril do ano passado. Ainda há dúvidas sobre como Adam Yauch dos Beastie Boys, Donna Summer, Robin Gibb, Dave Brubeck e Ravi Shankar serão lembrados durante o show.

Feita as apresentações, vamos às expectativas.

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As Apresentações



Se o Grammy é mesmo o show das grandes apresentações como querem acreditar seus produtores, o line-up de 2013 parece um pouco aquém de anos anteriores. A quantidade de estrelas pode até ser a mesma, mas há muito repeteco (Rihanna, Taylor, Bruno Mars e Alicia estão se apresentando há uns 4 anos consecutivos) e os avós Sting e Elton John não inspiram tanto amor como a reunião dos Beach Boys no ano passado.

No geral, está tudo muito desenergizado, parece. As pessoas mais velhas e os jornalistas da grande imprensa vão babar pelos números de dad rock, mas não há nada realmente empolgante em ver os Black Keys apresentando músicas de 2 anos atrás. O ménage à trois Bruno Mars-Rihanna-Sting pode render (eu aposto nela cantando “Stay” com Mars, Sting cantando “Locked Out Of Heaven” com ele e todos cantando “Roxanne”). Justin Timberlake é a aposta – provavelmente abre ou fecha a noite – mas será que salva o show? A surpresa seria mesmo se Beyoncé, ainda não anunciada como número musical, só apresentadora, tocasse um novo single ou participasse do show de Frank Ocean. Depois do Super Bowl, tudo que quero é ver mais e mais Beyoncé no palco. Enfim, veja o que está confirmado (decotes, sideboobs, camel toes e pele em geral não vão estar participando da festa):

  • Alicia Keys & Maroon 5
  • Bruno Mars, Rihanna e Sting
  • Carrie Underwood
  • Ed Sheeran & Elton John
  • Frank Ocean
  • Fun.
  • Jack White
  • Justin Timberlake
  • Kelly Clarkson
  • Miranda Lambert & Dierks Bentley
  • Mumford & Sons
  • Mumford & Sons, Elton John e Alabama Shakes em tributo a Levon Helm
  • Taylor Swift
  • The Black Keys
  • The Lumineers

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Os Prêmios

Álbum do Ano

The Black Keys – “El Camino”
Fun. – “Some Nights”
Mumford & Sons – “Babel”
Frank Ocean – “channel ORANGE”
Jack White – “Blunderbuss”

VAI GANHAR: Frank Ocean. Olhe para lista de indicados e pense: qual desses álbuns aí tem estatura de Álbum do Ano? Jack White e Black Keys já fizeram e foram indicados por álbuns melhores que esses; “Babel” vendeu muito, mas é repeteco; e Fun. tem todo um naipe de one hit wonder, vamos concordar. Frank Ocean, pelo contrário, fez um disco que desde a primeira audição soa clássico. Não prejudica o fato dele ter conseguido um resultado comercial para além do sucesso alternativo (140 mil só em vendas digitais na primeira semana nos EUA) e de ser um dos caras mais bem conectados da indústria hoje. O ano foi desse disco.
PODE GANHAR: Fun.. Considerando que Black Keys, Jack White e Mumford & Sons se canibalizam, o único que sobra com alguma chance de bater Frank Ocean é Nate Ruess e o seu Fun. Eles tem algum (não-merecido) respaldo crítico e, apesar de não terem vendido muito, tiveram dois singles fortes nas paradas americanas. É o meio do caminho e o Grammy é um prémio meio do caminho.
MERECE GANHAR: Frank Ocean. Porque é um dos melhores álbuns dos últimos anos, simples assim.

Gravação do Ano

“Lonely Boy” – The Black Keys
“Stronger (What Doesn’t Kill You)” – Kelly Clarkson
“We Are Young” – Fun. feat. Janelle Monáe
“Somebody That I Used To Know” – Gotye feat. Kimbra
“Thinkin Bout You” – Frank Ocean
“We Are Never Ever Getting Back Together” – Taylor Swift

VAI GANHAR: “We Are Young”. Num ano de futuros one hit wonders, o Fun. foi o único dos 3 (Carly Rae Jepse e Gotye) que conseguiu se manter “quente” no mercado. Todo mundo ouviu “We Are Young” em 2012 e a canção, apesar de ser bem fraca, é daquelas que conseguem ser vendidas como algo parecido com um hino, coisa que o Grammy adora premiar (“Use Somebody” e “Clocks” venceram pelos mesmos motivos em anos anteriores).
PODE GANHAR: “Somebody That I Used To Know”. O meme é velho, mas foi infelizmente uma das 3 canções inescapáveis de 2012.
MERECE GANHAR: “We Are Never Ever Getting Back Together”. Ainda que “Thinkin Bout You” seja uma opção mais óbvia, ela é uma música de 2011, que poderia muito bem ter sido indicada no prêmio do ano passado. “WANEGBT”, no entanto, está fresca na memória e foi um dos grandes singles pop de 2012: insolente, provocador e extremamente divertido.

Canção do Ano

“The A Team” – Ed Sheeran
“Adorn” – Miguel
“Call Me Maybe” – Carly Rae Jepsen
“Stronger (What Doesn’t Kill You)” – Kelly Clarkson
“We Are Young” – Fun. feat. Janelle Monáe

VAI GANHAR: “We Are Young”. Os votantes do Grammy tem uma certa preferência por escolher a mesma música para Canção e Gravação do Ano e acredito que em 2013 não seja diferente. Não bastasse o sucesso de “We Are Young”, pesa o fato de o ex-indie Nate Ruess ter se tornado um dos compositores mais arroz-de-festa do pop americano, escrevendo canções para gente como P!nk e Ke$ha. Mais uma vitória para o time dos coxinhas.
PODE GANHAR: “The A Team”. Ainda que não tenha sido um hit do tamanho de “Call Me Maybe” ou “We Are Young”, “The A Team” tem o respeito da ala folk/country da Academia de Gravação e Ciências e o apoio da possível vencedora de 2014, Taylor Swift. O fato de Sheeran estar escalado para tocar com um dos grandes vencedores da história do Grammy, Elton John, pode indicar que ele não sairá de mãos vazias no dia 10.
MERECE GANHAR: “Call Me Maybe”. Embora “Adorn” seja uma das canções mais simpáticas do ano passado, “Call Me Maybe” foi 2012. Pena ser “simples” e “boba” demais para o histórico sisudo da categoria.

Melhor Novo Artista

Alabama Shakes
Fun.
Hunter Hayes
The Lumineers
Frank Ocean

VAI GANHAR: Frank Ocean. Apesar da categoria ser o local das maiores zebras, é difícil tirarem essa de Frank Ocean. “channel ORANGE” fechou o ano como o álbum mais bem resenhado de 2013 (respaldo crítico pesa mais do que resultado comercial nessa categoria) e Frank tem mais respeito e conexões do que o resto dos indicados juntos.
PODE GANHAR: Fun. Pelo sucesso, pelo prestígio do Nate Ruess como compositor, pela falta de senso dos votantes. Mas, por favor, não.
MERECE GANHAR: Frank Ocean. Porque ele é o cara.