Vem Aí

No Estúdio: Dorgas

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Quem: Dorgas
Álbum: ainda sem título
Quando: Agosto/Setembro
Sai por onde: Audio Rebel
O que já dá para ouvir: Por enquanto, nenhuma versão do estúdio. Mas “Hortência” – primeiro single do disco – e algumas outras faixas podem ser ouvidas na sessão que os meninos fizeram pro Oi Novo Som.

Sete meses após o lançamento de “Grangongon”, último single do quarteto mais estranho da cidade do Rio de Janeiro, os garotos do Dorgas oficializaram o que já era esperado: vem aí o primeiro disco-cheio da banda. Sem data certa de lançamento, título, tracklist ou capa confirmados, de algumas coisa já temos certezas, por mais que sejam, digamos, incertas.

A primeira coisa a saber é que o disco – com tracklist de 8 a 10 faixas e o primeiro single, “Hortência”, já confirmado – será lançado ainda no segundo semestre deste ano – entre agosto e setembro – pela Audio Rebel, gravadora cuja base em Botafogo funcionou como uma espécie de residência para os rapazes (grande parte da agenda de shows do Dorgas do ano passado rolou lá, muitas vezes aos domingos). A segunda coisa a saber, também importante, é que a produção provavelmente ficará a cargo do canadense Gabriel Cyr – do projeto Teleseen – com engenharia de som de Renato Godoy, baterista dos Chinese Cookie Poets.

A terceira coisa a saber é tão mais complexa que créditos de produção ou gravação que merece um parágrafo separado e diz respeito à sonoridade do álbum. Numa entrevista a ser publicada semana que vem aqui no Fita Bruta, Gabriel Guerra e Eduardo Verdeja falaram um pouco das influências e da “vibe geral” do disco. Antes de falar sobre esses dois pontos, no entanto, é bom saber que, de início, a ideia é que o primeiro álbum dos rapazes seja bastante diferente de tudo que já lançaram, até agora, pelo menos em questão de execução. Verdeja e Guerra – e, pelo que disseram, a opinião é compartilhada por Cassius e Lucas, baixista e baterista do grupo – acreditam que “Verdeja Music”, “Loxhanxha” e “Grangongon” foram passos necessários ao amadurecimento do conjunto, mas são bastante distintos do tipo de trabalho que pretendem apresentar num primeiro disco.

Dito isso, a verdade é que o que vem por aí, segundo eles, é bem mais “acessível” do que as coisas que já lançaram. A minutagem das faixas é uma indicação dessa “guinada”: nenhuma deve exceder os cinco minutos, a não ser “Campus Elysium”, comprovadamente mais demorada, em seu desenvolvimento. Quanto às referências “oficiais”, Steely Dan é a principal, segundo Verdeja e Guerra, na linha de bandas que mais têm a ver com o espírito do Dorgas, uma “banda de canção”, segundo Verdeja, mesmo que as palavras “experimental” e “jam” ainda dominem os comentários que fazem sobre seu som. O Steely Dan, nesse sentido, é a banda, ainda segundo os rapazes, que melhor soube fazer discos de canções em que textura e harmonia – elementos essenciais à qualidade do Dorgas – eram muito bem trabalhados. Fora os americanos, jazz fusion e nomes como Minnie Riperton e Andrea True Connection também foram citados, a primeira uma compositora de soul dos anos 1970, a segunda o projeto de uma atriz pornô/disco diva da mesma década.

Mas o que resume melhor a empreitada ainda sem nome dos cariocas vem da fala de Guerra: “A gente está tentando fazer o disco mais preciso e direto possivel, estruturalmente pop, mais ‘suave-dançante’, e se tem alguma coisa estranha é somente em algumas sutilezas. É um disco feito pra mamãe e papai ouvirem junto com você”. E, olha, eles estão bem ansiosos.