Exclusivo: Camila Garófalo lança “O Velho”

1476277_573822222286962683361_1684662468_n

1476277_573886962683361_1684662468_n

Quando os efeitos da salvia bateram, Camila Garófalo afundou em si. “Para nunca mais”, diz. Para a cantora e compositora, além da sensação de medo, veio-lhe um velho. E é ele quem protagoniza a faixa assim intitulada que Garófalo lança para apresentar seu primeiro álbum com lançamento marcado para abril deste ano.

“Um ano depois de ter sido gravado”, checa. No estúdio, se juntaram Dustan Gallas (guitarra, baixo e teclados), Bruno Buarque (bateria e percussão) e (olha ele aí em seu 17ª gravação só em 2014) Thiago França (saxofone). Em “O Velho”, Camila marca voz forte em uma estética que vem se tornando íntima dos independentes paulistanos: o Afrobeat. “Isso não estava premeditado. Aliás, nada estava. O disco foi gravado em 4 dias sem ensaios”, explica.

Abaixo, ouça “O Velho” e leia a entrevista completa com Camila Garófalo. No dia 06 de feveiro, ela sobe ao palco para mostrar as canções (duas delas você pode ouvir ao longo do texto) de “Sombras e Sobras” no palco da Serralheria, em São Paulo, com Lara e os Ultraleves. Guarde a data.

Fita Bruta: Não é difícil perceber nas duas músicas lançadas anteriormente a presença de uma mesma vontade de afrobeat que permeou a música de muitos feras que te acompanham agora nas gravações, como o Thiago França. Como foi esse processo de aproximação com esta estética; quando você efetivamente começa a gravar com a cabeça que tem nesse momento?

Camila Garófalo: Como o disco completo ainda não saiu é arriscado afirmar essa estética afrobeatizada. Acredito que foi o próprio Thiago França que trouxe essa ideia para as faixas. Foi justamente ele quem deu o tema com seu saxofone tenor na música “O Santo”, isso não estava premeditado. Aliás, nada estava. O disco foi gravado em 4 dias sem ensaios. Os músicos Dustan Gallas e Bruno Buarque simplesmente ouviram as pré-produções que fiz junto com meu amigo Danilo Prates e foi lá no Minduca – estúdio na casa do Bruno – em que tudo nasceu, como num parto normal.

FB: Você está lançando a terceira prévia de seu álbum. Notei que há um comentário de um ouvinte acusando a gravação de ser “estranha”. “O Velho” não se destingue da linha de produção de “O Santo” e “Sobras”, o que indica que não é “estranha” a gravação e sim uma “linha” de gravação, certo?

CG: Eu gosto da palavra “estranha” (risos). Não sei bem o que o ouvinte quis dizer, mas gostei do comentário. Agora estou lançando “O Velho” que é a canção mais antiga do álbum. Escrevi aquelas palavras de medo após o efeito alucinógeno da salvia [n.e. planta psicoativa usada em rituais xamânicos e conhecida pelas alucinações de tons muito pessoais], que na época ainda era legal. Experiência pra nunca mais. Fui transportada para um submundo tenebroso depois de tragar aquilo e foi quando conheci o velho, uma figura que me apresentou todas as dores do mundo de uma só vez. O efeito passou mas a lembrança ainda é muito clara.

FB: Você me contou que vem a SP definitivamente para cuidar de sua música, carreira. O que significa dedicar-se à música independente sabendo da tremenda insegurança financeira?

CG: Sim, esse é o meu único objetivo: fazer minha música e viver disso. Sou formada em Propaganda e trabalhei como redatora em publicidade e jornalismo por todos esses anos. Esse é meu ganha-pão, não é o meu sonho. O cenário independente é um sonho e sobreviver com a grana que vier a partir dele é um delírio. É lá que eu pretendo chegar. Enquanto isso, terei de me render aos títulos criativos e às frases de efeito do mercado publicitário. De qualquer forma, levo tudo como sendo um grande exercício para a criatividade. Escrever sobre qualquer coisa é quase como compor. Eu acredito que tudo esteja relacionado.

FB: O que te emociona atualmente na música? Qual foi a última surpresa que a música te causou?

CG: Eu gosto das misturas. Não que não aprecie o rock clássico, o samba de raíz ou os tradicionais ritmos brasileiros. Mas se me pergunta o que me emociona vou logo dizendo que são as sonoridades contemporâneas, as experimentações. E isso tem muito a ver com o que essa turma toda tem feito, como o último disco do Gui Amabis, “Trabalhos Carnívoros”, ou como a loucura sonora do Cérebro Eletrônico com o álbum “Vamos pro Quarto”. Emocionante é o território desconhecido, no qual a única regra é não fazer aquilo que já foi feito antes.

FB: Vamos falar de previsões: quando sai o álbum inteiro?

CG: Está previsto para abril deste ano. Exatamente um ano após as gravações. Após tanto estudo, cruzemos os dedos e soltemos a voz.

*Montagem sob foto de Giovanna Consentini