Foxygen | We Are The 21st Century Ambassadors Of Peace & Magic

foxygen-we-are-the-300-2

A primeira coisa que me veio à cabeça ao ouvir o Foxygen foi o Belle & Sebastian, mais especificamente o título de uma música do Belle & Sebastian. Ainda que a dupla de Los Angeles tenha lá alguma coisa dos escoceses, foi a imagem do titulo de “A Century Of Fakers” que me fez entender como as coisas funcionavam nesse segundo disco da dupla californiana, “We Are The 21st Century Ambassadors Of Peace & Magic”. Não é um século e não tem tanto a ver como a música original, mas é possível dizer que bandas como Belle & Sebastian e o Foxygen são os tais falsários desse meio século de rock n’ roll. Ainda que nenhum rock tenha nascido de geração espontânea, grupos como esses partem do pressuposto que se você estudar bem obra, perceber cada detalhe, cada mensagem cifrada, pode retrata-la com primazia e excelência de artista autoral.

O Foxygen entende bem isso e em seu segundo álbum a dupla californiana nos conduz por uma viagem por um recorte bem especifico e identificalvel da história do rock. Seguindo uma certa tradição de artistas de renome recentes como Ariel Pink e Mac DeMarco, Jonathan Rado e Sam France flutuam sobre uma ideia bem específica de rock, que parece encontrar no passado pós-hippie as origens sobre o movimento hipster

Trabalhando com 15, 20 anos de história (de 1965 a 1975, com margem de erro de uns 3 anos para mais ou para menos), “We Are The 21st Century Ambassadors Of Peace & Magic” acaba sendo um daqueles discos em que a audição vira um “advinhe banda” – a cola inclui Bod Dylan, Rolling Stones, The Kinks, Velvet Underground, T. Rex e alguns outros – que se salva pelo bom humor nas letras e pela excelência melódica que a dupla começou a apresentar ainda no EP “Take The Kids Off Broadway”, do ano passado. Há uma boa dose de sarcasmo na maneira em que eles retratam e comentam as situações e os personagens do disco e há também um tanto de melancolia. Nem sempre eles acertam o tom, como bem mostram “Bowling Trophies” e a faixa-título, mas a maior parte do álbum e principalmente os destaques óbvios “No Destruction” e “San Francisco” demonstram a excelência que os dois alcançaram em se debruçar pelo passado.

É bem verdade que o deboche característico das letras impeça uma certa comunhão empática com o ouvinte como acontece com o próprio Belle & Sebastian, mas há uma qualidade genuína no estudo que o Foxygen faz do passado. E nessa aula eles ganham estrelinha na testa da professora ao mesmo tempo em que parecer ser os caras mais divertidos da classe.

  • um nome

    não aguento “advinhe banda”. Só aguentei ouvir 5 faixas desse disco por esse motivo. Talvez eu dê outra chance, prestando atenção nas letras… Mas não vejo motivos pra isso.