Um novelão de plot fácil: a partilha de uma herança e as consequências da morte do patriarca da família. No elenco, toda uma geração que surge bem depois da virada do século em Recife ligada a Chico Science apenas pela famosa avenida de Olinda. Enquanto a cada minuto laptops branco-maçãs fazem manguebeat em varandas de apartamento, outros milhões de MCs Sheldon, Metal, Cego estão, ainda que alheios à árvore genealógica, correndo sobre a linha traçada por Science. – ritmo que, hoje, a cinco reais, toma conta das noites de Olinda e Recife. A batida boba do tecnobrega e os versos inspiradas em não-versos do funk carioca disparam na frente da classe média artística que detém os direitos da obra advinda do Manguebeat e que tem insistido em loops e sintetizadores como ferramenta para remixar passado. Em livrarias, best-sellers de auto-ajuda recomendariam desapego em necessidade de evolução. Os MCs do brega compraram faz tempo. Os vários Júlias Says do Nordeste ainda estão no capítulo em que todos se matam após discordarem da partilha. O SBT compraria a moral da história: “possuir direito a uma herança não garante ao sortudo que o destino da benesse fique metaforicamente em sua posse”.

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