Metá Metá é o melhor disco brasileiro de 2011, fecha a conta, passa a régua. Não apenas por suas qualidades mais óbvias como produção e arranjos de primor sem igual no ano ou a inquestionável voz de Juçara Amaral, os pontuados e pontualíssimos sopros de Thiago França ou ainda Kiko Dinucci tocando seu violão e compondo com uma propriedade única na sua geração. Não apenas por isso.

Metá Metá é também importante por alguns motivos mais difusos. Com composições retrabalhadas ao paroxismo, como “Umbigada” (Lincoln Antonio) ou “Trovoa” (Maurício Pereira, dos Mulheres Negras), o disco demonstra uma dedicação incomum na música brasileira de hoje. Enquanto a maioria dos discos lançados por brasileiros em 2011 se concentra em timbres e sonoridades que, na tentativa de soarem originais ou inventivos, sucumbem à fraqueza primordial das suas composições, o trio Metá Metá se vale de outros autores, além de si mesmos, para priorizar arranjos que de fato reinventam as músicas. Despindo as faixas de toda sonoridade acessória, com um álbum gravado ao vivo, as músicas soam cruas, sóbrias, conscientes da sua beleza primeva e recuperam para a música brasileira atual o valor da canção, esse morto-vivo que vez em outra assombra os artistas brasileiros, lembrando-lhes de um passado de glória, um presente decepcionante e um futuro sombrio. , feita para se distrair do marasmo que se tornou a própria produção musical no Brasil, seja independente, popular ou mainstream.

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