Quando o refrão de Imergir surgir pela segunda vez, vai ser impossível ficar inerte. E é bem provável que, por algum tipo de vício, brindemos juntos, eu, você, nossos 20 e poucos anos, a vinda do refrão. Mas é preciso refletir. SILVA não inebria e, impossibilitador, junto com suas cinco faixas, é apenas confortavelmente apelativo, um gancho bem no meio do talento de Lúcio Souza, prodígio da cena musical da capital do Espírito Santo, Vitória.

Navios dizem recomeço / do mar ninguém chegou ao fim / eu vou deixar seu nome imergir” diz o refrão de Imergir. A posição da espera, da passividade se tornou uma tônica em todo um punhado de singles e álbuns do cenário independente brasileiro. É o brasileiro que luta contra o rádio, mas que não se posiciona assim por ser combativo e, sim, por ser ingênuo. É ingênuo porque combate com todas as forças o refrão micareteiro de “Ai, se eu te pego”, mas não percebe que tão apelativo quanto são os acordes de A Visita. Se fossemos mais espertos, conjugávamos as duas em uma mesma mixtape em oferta à menina mais gostosa da classe. Mas, não. Separa-se. Diverge-se. E, claro, a menina foge – ou melhor, vai procurar uma fugidinha. E fica-se na lama, tentando compor algo sobre como é difícil ser assim, de como a vida é difícil, de como a rotina é estenuante e de como é ruim tentar ser bom.

Não há derrotismo em SILVA. Não há porque derrotismo é conceito. E isso não há em nenhuma das cinco faixas que trazem Lúcio Souza quase oficialmente ao cenário independente e autoral brasileiro. Ainda assim, SILVA acaba sendo superior aos seus pares etários, de gênero e, principalmente, conterrâneos. No entanto, ainda acusa o duro golpe dado em uma geração que não parece refeita dos vícios de linguagens e de acordes vindos da safra de canções da dupla Camelo e Amarante (até quando?).

Uma das piores sensações para quem vai à lona é a ilusão da volta. Recém traumatizado com o último golpe, o atordoado não sabe ainda onde começa a sua infantilidade: se na possibilidade de ficar em pé novamente ou se antes mesmo da luta, na vontade de lutar. E está na lona este gênero que abriga não só este EP de Lúcio Souza, mas uma mão cheia de promessas do semáforo da atual música brasileira.Trôpego, este gênero vê contagens sendo abertas a cada lançamento.