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The Mars Volta | Noctourniquet

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The Mars Volta

Noctourniquet

[Warner Bros; 2012]

6.0

ENCONTRE: Site oficial

por César Márcio; 05/03/2012

Por alguns instantes, a alternativa encontrada pelo Mars Volta para a evolução da música do At The Drive-In (posteriormente conhecida como a música do Linkin Park) foi satisfatória: instantes em “De-Loused In The Comatorium” e “Frances The Mute” em que a, digamos, pujança técnica de Omar Rodriguez Lopez e Cedric Bixler-Zavala foi usada a favor do enriquecimento daquele post-hardcore que já não sabia mais para onde ir. Paralelamente, a dupla recheava seus discos com faixas formulaicas, tão previsíveis que podem ser descritas facilmente antes mesmo de começarem: guitarra e bateria calmas acompanhando vocal de tom mais baixo, teatralizado, progridem para um refrão com bateria rápida e marcial acompanhando vocal gritado – aí vem um break, um “ta-da” bem rápido com guitarra e bateria – e os trechos se alternam novamente.

Com o passar do tempo, o Mars Volta formulaico tomou a frente das ações e a dupla, que já não gozava da simpatia do jornalismo de confetes atual, se tornou um festival de exibicionismo desinteressante para ouvintes e crítica. O primeiro single de “Noctourniquet” alimentou esperanças ao refutar a impressão perene de estarmos ouvindo a parte do vilão bem malvado de algum musical infantil em cada uma das faixas. Infelizmente, a esperteza de “The Malkin Jewel” é pouco repetida nesse novo álbum.

Há uma bossinha aqui (distorção ascendente em “Empty Vessels Make The Loudest Sound”) e ali (o som chapado de “In Absentia”), que apenas comprovam que temos aqui um músico habilidoso, não exatamente tecnicista, que não consegue se livrar das estruturas das suas composições. Rodriguez-Lopez é capaz de enriquecê-las, mas não é capaz de alterá-las. Essa característica lembra a progrssão da carreira de dois músicos do Red Hot Chili Peppers com que o Mars Volta tem intensas relações, Flea e John Frusciante.

Os acessórios de “Noctourniquet”, quase sempre eletrônicos, aumentam a vida útil de suas faixas que, relevando sua insistência em agradar fãs de RPG, são, no geral, bem mais interessantes que as de “Ochtaedron”, o último e insuportável álbum da dupla. E provam que está mais do que na hora de Lopez e Savala aumentarem a sua paleta de influências. É compreensível, nós todos amamos o King Crimson, correto? Mas insistir em homenageá-los a cada segundo não fez bem ao Mars Volta. Parece que agora, pelo menos, eles começam a se dar conta disso.