Boss In Drama | Toda Doida (Part. Karol Conká)

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“Toda Doida”, uma inesperada (e interessante) união de forças de Karol Conká e Péricles Martins, o cara por trás do Boss In Drama, pode servir pra no mínimo duas conversas, uma derivando da outra. A primeira é sobre a letra, uma espécie de adaptação do tema da mulher louca na balada para o público “alternativo”, indie brasileiro. Popularizada em especial pelo sertanejo universitário, a música sobre a “doida” chegou em 2012 a quase todos os gêneros da música brasileira, como o já falado sertanejo (Gusttavo Lima – Doidaça), o tecnobrega (Gaby Amarantos – Ela Tá Beba Doida) ou o pagode/MPB-esperta (Seu Jorge – A Doida). A “Doida” é personagem muito mais presente no imaginário musical recente do Brasil do que se poderia esperar, e do que se fala.

A segunda conversa é sobre a suposta supremacia da música indie brasileira sobre a ideia de “boa música” no Brasil, ainda defendida por muita gente considerada esclarecida. Nesse sentido, “Toda Doida” é interessante pois é uma resposta, um tiro (proposital?) pela culatra, a seu próprio suposto público: vocês não são tão diferentes e especiais assim. O que muda são alguns timbres e uma gírias como boy magia, tão “constrangedoras” quanto a sanfona de Teló ou o topete de Gusttavo. Creio que quase todos os leitores consigam ligar os pontinhos e perceber que na verdade não há muita distância entre Gusttavo, Gaby ou Boss in Drama. Infelizmente, “Toda Doida” resulta em algo abaixo do que os melhores produtos dos seus pares citados. O grande trunfo da faixa de Conká e Péricles talvez seja a constatação de que pelo menos na balada somos todos iguais. E uma das coisas que nos une é a Doida e sua bebida, red label ou ice, vodka ou água de coco.