Katy Perry | Roar

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A campanha de divulgação de “Prism” mostra Katy Perry queimando perucas azuis, engolindo pavões e enterrando seu passado. Desde o divórcio de Russell Brand no fim de 2011, Katy não tem escondido sua busca por amadurecimento e libertação da fase que a transformou em uma das maiores estrelas de sua geração, mas que também lhe confinou numa espécie de girl next door encontra “A Fantástica Fábrica de Chocolate”. Se a sorte e meia dúzia de singles (alguns deles muito bons) foram o bastante para impedir que a história lhe condena-se ao papel de one hit wonder, “Roar” chega com a difícil missão de mostrar o que há depois.

O maior problema aqui é que o “depois” não é algo tão diferente assim do “antes”. Longe de ser uma ruptura, “Roar” é “adulta” usando os denominadores comuns do pop “adulto” e chato que ela mesmo ajudou a redefinir com “Fireworks”. A partir de um ritmo downtempo com batida forte e abafada, Katy narra num vocal eficiente (é a melhor coisa da música) a dura jornada da jovem popstar que superou as adversidades para se tornar “uma campeã”. Katy nunca escondeu seu lado auto-referente (“I Kissed A Girl”, “Ur So Gay”, “Teenage Dream”), mas ela costumava ser mais divertida e ousada fazendo isso. “Roar”, ao contrário, é música – como é o Fun., “Stronger” da Kelly Clarkson, a trilha de “Sangue Bom”, Mumford & Sons etc – para uma geração de novos yuppies amedrontados pela crise econômica: confortavelmente edificante, perfeitamente inofensiva. Nada além de um miado irritante, enfim.