Nelly Furtado | Big Hoops (The Bigger He Better)

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Nelly Furtado

Big Hoops (The Bigger The Better)

[Geffen/Universal; 2012]

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ENCONTRE: iTunes

por Livio Vilela; 17/04/2012

Não importe quanto tempo passe ou quanto sucesso ela faça, Nelly Furtado sempre vai do tipo de popstar que destinada a despertar questionamentos como “Nossa, por onde ela andava?” ou “Essa era aquela menina que cantava ‘I’m Like A Bird’, né? Adoooro!!!”. Em todas as vezes que fizemos essas perguntas, foi com uma certa excitação, um “ufa” por pensar que está tudo bem agora por Nelly ainda estar viva e fazendo música. Até aqui.

O que é mais frustante ao ouvir o primeiro single de Nelly em inglês desde 2006 (em 2010 ela lançou uma música nova num greatest hits, mas duvido que alguém além dela tenha ouvido) é perceber como, pelo menos nessa faixa, a luso-canadense parece ter se conformado em soar como qualquer uma. Mesmo quando mirou direto nas paradas em “Loose”, – e conseguiu se sair bem melhor do que qualquer pessoa esperava – Nelly fez com que todo mundo acreditasse que aquele rebolado promíscuo era na verdade um impulso artístico legítimo e não uma necessidade de mercado. O fato de Timbaland estar gozando dos seus dias mais cool em 2006 (ele iria trabalhar com M.I.A. e Björk na sequência) parecia confirmar o hálibi.

5 anos depois, “Big Hoops (The Bigger The Better)” parece mais uma sobra de “Loose” do que uma faixa nova. Parceria de Nelly com o compositor e produtor Rodney Jerkins (cujo último hit, coincidência ou não, foi “Déjà Vu” de Beyoncé também de 2006), a música carece de carisma e inteligência e mostra a cantora caindo na mesma vala pós-Rihanna que recentemente levou metade Nicki Minaj para tumba. A letra e batida são tão preguiçosas (e, sim, tem a porra de um break de dubstep) que não dá para imaginar que alguém – produtor, artista e gravadora – realmente tenha pensado que Nelly precisava fazer alguma coisa para voltar à cena além de, uhm, voltar à cena. O vocal, completamente autotunado, nos faz perguntar porque Nelly achou que seria uma escolha artística sensata usar o efeito, já que sua voz naturalmente soa como se tivesse sido reprocessada digitalmente.

O fato é que num momento em qualquer popstar tem movido mundos e fundos para provar que é autor, Nelly soa apenas como mais uma robô programada em reuniões de marketing do que qualquer outra coisa. E, pior, sem o charme autômato de Britney e Rihanna, o que nos leva a imaginar que a pergunta que acompanha Nelly Furtado pode logo mudar de “Por onde anda?” para “O que ela ainda está fazendo aqui?”.


Nelly Furtado – Big Hoops (Bigger The Better)… por wonderful-life1989