30 Melhores Álbuns Nacionais de 2012

30+nac

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10.sibaSiba
Avante

“Avante” é uma interseção de traços e vontades. Um álbum que carrega, em seu desejo de futuro, um bocado de passado. Muito embora carregue uma radiofonia hipotética o disco surge de um esforço de autoria, uma articulação não só entre os tempos de um autor, mas também entre as várias vozes – o pop, o rock, o maracatu e a MPB – que fazem casa em uma só pessoa. Seria injusto chamar “Avante” de um disco covarde. O que se tem ali são canções afáveis, divertidas, bem executadas e espertas, canções que cumprem o papel de entreter enquanto não abrem mão do que se chama de voz individual. As letras são de um rebuscamento leve que, pautando-se pela precisão de imagens e incursões quase épicas, não se perde em pompa ou circunstância. (Rafael Abreu)

09.Manja PereneLetuce
Manja Perene

Suavidade é o código do Letuce. O casal construiu uma maneira pessoal de fazer canções. Seja em melodias lentas ou em pegadas mais rápidas, esse disco é um sinal de evolução musical da dupla carioca. “Manja Perene” esbanja uma personalidade que falta em muitos lançamentos de bandas brasileiras. Menos preocupada em seguir um formato ou “aparentar ser algo”, nota-se uma espontaneidade deliciosa na voz de Leticia. Enquanto isso, eles passeiam de uma calmaria bossa-nova a uma guitarra indie-rock na maior naturalidade. (Tulio Brasil)

08.ClaridãoSILVA
Claridão

Depois de um ano de hype, foi bom ver Lúcio Silva finalmente emergir sem medo à posição de compositor pop que lhe cabe. Ainda que “Claridão” não se distancie das ideias do EP de 2011, o álbum tem a função de reorganizá-las, desanuviá-las de qualquer sombra que a expectativa (geralmente dos outros) possa ter trazido. Assim, SILVA se joga no mundo em seu primeiro “disco cheio” como um garoto de seu tempo, tão ávido quanto sincrético. O resultado remete a coisas daqui e de lá (Passion Pit, Guilherme Arantes, Skank, James Blake), mas de uma forma em que essas referências sublinhem sua excelência como compositor, ao invés de escondê-la. (Livio Vilela)

07.Caravana Sereia BloomCéu
Caravana Sereia Bloom

“Caravana Sereia Bloom” se trata de um disco leve, solto. Suas faixas são fáceis, mas de uma facilidade bem trabalhada, bem resolvida, sem abrir mão de ser acessível. “Caravana…” é um disco pop – de rádio, de viagem entre amigos – mais cheio em timbres do que seu antecessor: guitarra, bateria, baixo, teclado capenga, drum-machine vagabundo, sampler e metais fazem do trabalho um disco de banda, pela dinâmica entre cada um desses instrumentos. Se uma paleta de timbres cheia dá a entender que faltaria espaço nas faixas, isso é o que mais sobra, no entanto: menos sufocado pelo calculismo de “Vagarosa”, há espaços no disco que deixam as canções crescerem. O que poderia facilmente ser uma cilada, não fosse o cuidado em articular as referências geográficas e sonoras óbvias do disco – o brega, a música latina, o reggae, a cumbia – de forma que não sejam apenas citações vazias. São antes ecos longínquos, incorporados a um som em que a noção de autoria é sedimentada. “Caravana Sereia Bloom” é um disco de seu tempo e de seus músicos. Feliz ou triste, lento ou rápido, há uma constante em todas as faixas de “Caravana”: a formação de uma obra de diversão robusta. (Rafael Abreu)

06.AbraçaçoCaetano Veloso
Abraçaço

Caetano Veloso ama suas ideias. E quer debatê-las, quer confronto, quer dialogar. Finalizando uma trilogia começada em 2006 com “Cê”, “Abraçaço” é, do título ao último acorde, um artista pensando e querendo fazer ouvir seus pensamentos. Ao se oxigenar com a banda Cê, Caetano conseguiu alinhavar uma forma mais contundente de expor seu discurso. Verborrágico, enlouquecido, cantando como nunca e, acima de tudo, divertidíssimo, ele conversa com o “college-rock” e com o rock psicodélico que deu forma a tantas ideias tropicalistas, dele, dos Mutantes e de outros nos anos 1960.É um disco cheio de êxitos, tolices muito divertidas e erros, como os dois anteriores. E que carrega uma frase bastante importante na sua última canção: como é bom ouvir Caetano dizendo “eu não vou mais me calar”. (Cesar Marcio)

05.Mental SurfPsilosamples
Mental Surf

“Mental Surf” se joga sem corda num penhasco em que muito intelectual desapareceu sem deixar rastros. A coisa do brasileirismo, da busca pelas raízes, da simbiose com a terra por si só consta como uma piada de mau gosto que arruína projetos culturais em veículos diversos, não só musicais. A mistura dessas características com uma música urbana e estrangeira por definição dá certo neste novo álbum de Zé Rolê por cultivar característica rara em situações semelhantes: o bom humor. Zé parece doutrinado pela esperteza de Richard D James, Dilla ou Hebden, caras que lidam com uma quantidade de informação avassaladora e conseguem organizá-las em planos aparentemente lógicos para o ouvinte. Assim, no meio de um furacão de links, Zé Rolê se mostra um caso típico da nossa época. Na média Pouso Alegre, MG, ele se conecta com o globo e com as coisas brasileiras, sem discurso, sem tese urbanoide precária, sem publicidade, enfim. Com seu humor mineiro, o Psilosamples é prova da possibilidade de uma música brasileira jovem viável, conectada com o restante do mundo e não submissa a ele. (Cesar Marcio)

04.O Deus Que Devasta Mas Também CuraLucas Santtana
O Deus Que Devasta Mas Também Cura

O caminho tomado por Lucas Santtana em “O Deus…” pode ser encarado como o da consolidação. Depois das experimentações nas canções dos discos anteriores, o cantor se decide por pequenos toques que remetem a esses procedimentos. O resultado é provavelmente o melhor disco já feito por Lucas, mas o que menos se aventura por novas sonoridades e experimentalismos. Com produção praticamente impecável, talvez este seja, também, o melhor exemplo da profissionalização técnica que a atual geração da música independente brasileira atingiu. O disco de Lucas Santtana, nesse sentido, tem o mérito de ser um dos melhores – dos mais bens acabados, finalizados, produzidos, compostos, arranjados etc. – exemplares da atual produção brasileira desse início de década. Além disso, por ser curto e de rápida assimilação, de poucas experimentações, mas com originalidade nos arranjos, poucos erros ou excessos, “O Deus que Devasta Mas Também Cura” é o maior acerto de Lucas Santtana na sua carreira. (Matheus Vinhal)

03.ArrochaCurumin
Arrocha

O grande mérito de “Arrocha” é ser maior do que sua intenção. Desde seu título, é um disco tendencioso a repetir os cansativos discursos de culpa do pensamento cultural brasileiro mas, felizmente, a esperteza e talento de Luciano Nakata levam o disco para longe da didática sociológica. Em entrevistas pré-lançamento, Nakata menciona alguma dificuldade financeira como justificativa para este disco ser mais eletrônico. E, como o próprio artista admite, as possibilidades da eletrônica, de sujar, modificar e distorcer, ajudam mais do que atrapalham. “Arrocha” se beneficia disso, principalmente, porque Nakata é um grande músico. Por todo o álbum podem ser percebidas citações de inclusão que, por força da música, ficam pequenas demais perto do engenhoso trabalho de produção. Tudo exemplificado no peso de “Treme Terra”, um dos grandes momentos da música em 2012, faixa tão poderosa que não admite qualquer outro discurso que não seja sobre música. (Cesar Marcio)

02.Bahia FantásticaRodrigo Campos
Bahia Fantástica

Depois dos últimos álbuns de Romulo Fróes, Metá Metá, Sambanzo, e em especial do Passo Torto, fica manifesto que, falando da música de Rodrigo Campos, falamos também da música dos parceiros que escolheu. Estão todos no mesmo barco e são todos capitães, generais sem porquê. Líder temporário e da vez dessa embarcação, Rodrigo Campos é e sempre pareceu o mais seguro de seu itinerário. Como um Paulinho da Viola da atual geração, Campos soa como se não precisasse provar nada a ninguém e estivesse acima das discussões sobre os rumos da música brasileira. Mas o que sentimos em “Bahia Fantástica” é justamente um pouco de todos, comandados e guiados pela obra de Campos. A sequência das quatro primeiras faixas de “Bahia Fantástica” é um dos melhores momentos da música brasileira em 2012.Mas é, sobretudo, a constatação do quão prolífico, em quantidade e qualidade de obras, se tornou este grupo paulista formado em torno especialmente de Campos, Fróes e Dinucci. Todos eles, trajes de pescadores, formam uma tripulação que se impõe como um dos grupos mais importantes da nossa música atual. (Matheus Vinhal)

01.metalMetá Metá
MetaL MetaL

Há um motivo primeiro para que pessoas se juntem em grupos de cunho mais ou menos artístico sem laços corporativos – uma banda, uma companhia de teatro, um bloco de carnaval ou até mesmo um site, como o Fita Bruta. É a vontade e a possibilidade de ser mais que um, algo maior e menos frágil, mesmo quando os indivíduos sozinhos já se bastam, como é o caso do Metá Metá. Em “MetaL MetaL”, a intenção inicial de ser “três em só um” do Metá Metá conhece sua melhor forma até então. No seu primeiro disco, havia uma alternância clara entre temática e sonoridade: o lado A possuía temática urbana e sonoridade afro, enquanto o lado B de “Metá Metá” era marcado por uma temática afro e sonoridade urbana. “MetaL MetaL” decide explorar ainda mais essa segunda possibilidade. O resultado é um dos trabalhos mais intensos e vivos da música brasileira recente. A precisão da guitarra de Kiko Dinucci e o sax libertário de Thiago França formam um corpo só com a voz cada vez mais versátil de Juçara Marçal e fazem de “MetaL MetaL” certamente um dos álbuns mais importantes e relevantes para a música brasileira dessa década.
(Lívio Vilela e Matheus Vinhal)

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