Mahmundi | Efeito Das Cores EP

Mahmundi

Efeito das Cores

[Independente; 2012]

4.2

ENCONTRE: Soundcloud

por Rafael Abreu; 23/03/2012

Que o nome do EP de estréia da carioca Mahmundi seja “Efeito das Cores” é praticamente uma denúncia. E, considerando que o projeto da moça parece ter um marketing bastante acertado – nas roupas, na capa, nas fotos de divulgação e na própria sonoridade do disco – o título é importantíssimo: indica uma auto-imagem, adianta um processo, encerra, em si, um significado, essencial ao que se ouve no disco.

Triste que seja assim, portanto. Triste que o que deveria se pautar por sons – mas não só: por sentidos, também – se sustente por uma série de imagens, figuras tratadas, instantâneos perecíveis. Mal se revelam e já esmaecem.

“Efeito das Cores” não é tanto um disco quanto um álbum de fotografias. Ou talvez um tumblr. E o tema, infeliz e minuciosamente tratado por cada barulhinho (termo essencial à compreensão do lançamento), é o de uma década de estimação, da apreciação condescendente de uma sonoridade, da celebração de música sobretudo barata. Nesse sentido, ouvir “Efeito das Cores” é cruzar sentidos: ouvir um disco de imagens que querem ser sons e assistir ao fracasso desse processo justamente por ser um EP passível de ser visto.

A verdade é que “Calor do Amor” e “Quase Sempre” é música pra ouvir com os olhos. Porque é bastante claro que a música, aqui, nasce com um objeto de estudo – anos 1980 cafona e chique, Marina Lima, Rita Lee, etc. – uma paleta de cores – os tais dos barulhinhos: timbre de tecladinho vagabundo dos anos 1980, drum-machine fuleiro, arpeggiator e um delay viajante aqui, ali, acolá – e um senso de composição – visual, não de canção – bastante claros. O objetivo, então, é realizar um disco descolado e brega, ligeiramente dançante, “bom” – esperto – na produção e dissimuladamente “ruim” – barato, lo-fi – nos timbres. A verdade, em meio a essas referências, tão seguras quanto mal trabalhadas, é que “Efeito das Cores” é um EP um tanto inócuo, mesmo com suas tentativas de transcendência (o arremedo de profundidade do miolo psicodelicozinho de “#089 {Felicidade}” e o auge dramático de “Fotografe”, minúsculo, em sua urgência, por exemplo): não muda a vida de ninguém, realiza a execução pouco inspirada de um gênero e, imagino, vai ser tão efêmero quanto a onda que põe a verdade da maioria da música pop de hoje na famigerada década dos 1980.

É nesse contexto que a realização do disco é plena: de acordo com os próprios parâmetros. Fora de si – de sua patota, de um mercado em que o pop sintético ainda é uma novidade, em que a noção de uma cena “indie” é, ainda, incipiente – não se sustenta. “Efeito das Cores” dificilmente vai sobreviver ao mundo. Ao tempo, então, nem se fala.

  • felipe

    critica boa e texto ruim…