As 50 Melhores Faixas Internacionais de 2013

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[50-11] [10-01]

10.julia-holter-in-the-green-wild-300Julia Holter
“In The Green Wild”

Julia Holter voltou mais aguçada no seu terceiro álbum, “Loud City Song”. O segundo single “In The Green Wild” equilibra o lúdico dos álbuns antecessores, “Tragedy” e “Ekstasis” – ricos em sobreposição de camadas lo-fi, num formato mais objetivo. “In The Green Wild” desperta com a presença de uma linha de baixo forte e descortina uma Julia mais direta no papel de uma narradora de um enredo com passada lenta na trilha do contrabaixo e de um violino torto, logo superado pelo climax em que tons lúdicos sobem e formam os melhores segundos de uma canção de 2013. (Túlio Brasil)

09.kurt-vile-wakin-on-a-pretty-day-300Kurt Vile
“Wakin On A Pretty Day”

Se música fosse esporte, Kurt estaria praticando maratona. Resistente, lançou um longuíssimo disco esse ano, com canções quase sempre passando da marca dos cinco minutos. O cartão de visitas, “Walkin on a Pretty Day”, chega aos nove minutos sem a pressa e sem os arroubos épicos de seus pares (veja War On Drugs), mais chegados aos 100 metros rasos.
Constante, o guitarrista estica acordes simples baseando-se nas premissas de suas influências evidentes dos anos 70: Fleetwood Mac, Springsteen e Neil Young. Como um queniano, Kurt Vile parece especialista em longas distâncias, driblando a auto-indulgência que não cansa de frequentar projetos dessa natureza. (César Márcio)

08.drake-hold-on-we-re-going-homeDrake
“Hold On, We’re Going Home” (Feat. Majid Jordan)

Para Drake, o amor sempre foi algo que causa ressentimento (“Marvin’s Room”, “Doin’It Wrong”) ou possessão (“Take Care”, “Shot For Me”), mas em “Hold On, We’re Going Home” ele parece finalmente confortável com a possibilidade. Pode ser só uma boa atuação – e com ele, eu sempre desconfio que seja – mas aqui ele diz querer aquilo que todo rapaz de bem quer: seu amor, sua emoção, para sempre. É um pedido, um desejo falado na na linguagem internacional do amor, o pop, algo que lhe serve tanto ao coração, quanto à carreira. Enquanto o hip hop discute a sucessão do trono, Drake continua mais esperto que todo mundo ao se importar só com a batida do seu coração. (Livio Vilela)

07.lorde-royalsLorde
“Royals”

“Royals” veio para os jovens. De repente, eram todos os jovens que estavam escutando essa peça que parecia nascida para não arrebatar as paradas. Não mais que de repente, sua tia já consegue escutá-la na rádio adulta que enfileira Sade, Phil Collins e Supertramp. O mundo não poderia ser mais estranho. Em 2013, a neozeolandesa Lorde completou 17 anos mas, principalmente, se tornou uma filha bastarda e branca de tudo que Kanye West vem fazendo recentemente: entrar de penetra e vandalisar a festinha do pop sem imaginação. (Yuri de Castro)

06.kanye-west-new-slaves-300Kanye West
“New Slaves”

“New Slaves” talvez sintetize melhor do que qualquer faixa as maiores intenções de Kanye West em “Yeezus”. É nesta faixa, pelo menos, que Kanye atinge com maior sucesso a fusão de sua esperiência pessoal e individual e a história negra americana, com, evidentemente, todos os abusos estéticos e conceituais que tal tentativa encerra. Kanye não ignora a excentricidade desta proposta e, por isso mesmo, cria um acompanhamento musical para suas ideas que é tão excêntrico quanto elas. Assim, com quase nada de percussão eletrônica, pontuada com alguns timbres característicos da house music, Kanye narra e defende sua ideia de que mesmo os negros mais ricos, como ele, são rodeados de racismo por onde quer que vão. A primeira estrofe de “New Slaves” está certamente entre as grandes letras do ano, como defende o próprio Kanye, adicionando ainda mais uma camada de extravagância para a faixa. Destaque ainda para a transição do canto autotunado de Kanye West para o canto limpo e belo de Frank Ocean já ao fim da faixa, trazendo beleza e suavidade de onde e quando menos se esperava. (Matheus Vinhal)

05.my-bloody-valentine-mbvMy Bloody Valentine
“Only Tomorrow”

“Loveless” foi lançado em 1991, há 22 anos e 2 meses. Já “Only Tomorrow”, um dos grandes momentos do inesperado disco novo do My Blood Valentine, pode ter tanto 22 anos de idade quanto 22 meses: se alguém, algum dia, conseguir falar com Kevin Shields, talvez essa informação possa ser confirmada. O que se pode dizer é que as dinâmicas antagônicas que transformaram a banda em objeto de culto durante todo esse tempo permanecem intactas. A faixa é um exemplo clássico desse embate, num equilíbrio perfeito entre a sensibilidade e a agressividade, entre o feminino e o masculino, representados pela voz frágil de Bilinda Butcher e pela densidade quase claustrofóbica da guitarra. “Only Tomorrow” foi lançada em 2013, mas poderia estar num hipotético sucessor de “Loveless” lançado em 1993, uma característica bastante traiçoeira. Felizmente, o perigo de soar datado foi engolido pelo perfeccionismo de Kevin Shields. (César Márcio)

04.james-blake-overgrown-300James Blake
“Overgrown”

Capturar sensações específicas de tempo e espaço sempre pareceu um norte estético para James Blake e em “Overgrown” ele faz seu melhor trabalho em conjurar de imagens. Congela-se o tempo, abre-se os olhos, e o que falta à percepção, completa-se com o imaginado. Assim, é até um pouco irônico que o mote da letra seja a fluidez do tempo (“Time passes in a constant state”), porque tudo nessa canção parece alheio aos segundos. A batida funciona como o som de um relógio quebrado, o tic sem o tac, ditando o ritmo no qual o flutuam o baixo, as esparsas notas do piano e um majestoso arranjo de cordas. Como elan, a voz de Blake, sempre seu mais poderoso instrumento, é o que segura tudo em seu devido lugar nessa canção que mais parece uma pintura impressionista em 3D. (Livio Vilela)

03.arcade-fire-reflektor-single-300Arcade Fire
“Reflektor”

“Reflektor”, a faixa, funciona como uma introdução e ao mesmo tempo síntese de “Reflektor”, o disco do Arcade Fire. É como um carro abre-alas, que abre um desfile de carnaval prometendo grandes alegorias, fantasias, firulas, enfim. Mas, ao mesmo tempo, demonstra absurda concisão e justaposição de temas e ideias. É um grande feito artístico em forma de música, que pode dizer muito mais do que parece querer. Não à toa, o Fita Bruta escreveu até um artigo, tentando dar cabo de muitas das possibilidades analíticas desta faixa. Como se não bastasse, “Reflektor” tem a produção evidente porém corretíssima de James Murphy, participação especial de David Bowie e um arranjo de metais digníssimo de nota, feito por outro grande de 2013, o saxofonista Colin Stetson. (Matheus Vinhal)

02.vampire-weekend-hannah-hunt-300Vampire Weekend
“Hannah Hunt”

Hanna Hunt é a terceira canção do que eu interpreto como uma pequena suíte em “Modern Vampires of the City”. O caminho é o seguinte: em “Diane Young”, o desespero da velocidade de vida (e de morte) da minha, da sua, da nossa geração (e do Vampire Weekend), explosivo e divertido, desemboca em “Don’t Lie”, que, continua na mesma linha (“God’s loves die young”), mas se permite um pouco mais de pêsames (acordes de igreja, órgão sintético, melodia suplicante). As duas faixas são relativamente animadoras, falsas cognatas: quando a letra pequena se torna grande, é fácil perceber que nada é tão alegre quando parece. Ambas entram definitvas: a primeira com um pé na porta de sintetizador e voz, a segunda com uma batida seca, solene, suspensa. Mas o desmonoramento só acontece em “Hannah Hunt”, que, ao contrário das outras, começa devagarzinho, com som ambiente, pianinho ecoando, vozinha doce. “A gardener told me some plants move, but I could not believe it ‘til me and Hannah Hunt saw crawling vines and weeping willows as we mad our way from providence to Phoenix”. A lembrança é a antiga, o eu-lírico apaixonado, e o tempo gasto, distorcido, subaquático. A maior desilusão, em “Modern Vampires of the City”, é também a mais mansa, a mais resignada: a não ser quando, no melhor momento do disco, a voz de Ezra se desfaz num grito feminino, arrebatado, na medida exata de um coração inexplicável. Aalguém aí poderia transpor expressão “tempo é dinheiro” poderia se transformar de forma tão maravilhosa? Eu não. (Rafael Abreu)

01.daft-punk-get-luckyDaft Punk
“Get Lucky” (Feat. Pharrell Williams & Nile Rodgers)

Talvez nenhuma faixa em 2013 seja tão fácil e ao mesmo tempo tão difícil de sustentar como a melhor do ano quanto “Get Lucky”. Ora, todos temos noção, de certa maneira, das dimensões grandiosas desta faixa. Nenhuma música vai ficar tão marcada em 2013 quanto essa, o passar do tempo solidificando uma das pouquíssimas (quase-?)unanimidades dos nossos tempos tão fragmentados. Em 2013, todos nós escutamos “Get Lucky” e a ouvimos em quase todos os lugares. Suas onipotência e onipresença, como tudo que é totalizante, pode ter cansado a muitos de nós, como poucas faixas em 2013 também o fizeram. Mas, quando “Get Lucky” surgiu, ela foi mais do que uma música, um hit, uma canção: foi um evento em si mesma. Maior até mesmo do que o Daft Punk e seu tão esperado disco. Não é por acaso que o She (ela) e o I (eu) do início do refrão se transformem, ao longo da música, no We (nós) de “We’re up all night to get lucky” que, já ao fim, se repete e repete e repete. “Get Lucky” é um sonho coletivo, onde todos os seus gigantes participantes são coadjuvantes: Nile Rodgers, Pharrell Williams e até mesmo o próprio Daft Punk. Neste sentido, o Daft Punk conseguiu, com essa faixa, fazer com que nossos tempos soassem como os tempos passados. E essa façanha vai muito além de simplesmente abdicar das picapes que os levaram até aqui. (Matheus Vinhal)

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