Os 25 Melhores Álbuns Brasileiros De 2013

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[25-11] [10-01]

10.cicero-sabado-300-1Cícero
“Sábado”

Vagando alheio ao hype associado ao criador, “Sábado” é um disco intenções modestas: apenas se propõe a traduzir em meia hora de música os 30 minutos de um fim de tarde qualquer. O álbum possui uma ambiência de céu pesado (como canta em “Por Botafogo”), o silêncio da troca de guarda da natureza materializando-se nos graves fortes ao longo do disco. Um violão de apartamento, claustrofóbico, marca todo o disco. Mas “Sábado” é um disco de ruídos, de som de fundo, onde o canto de Cícero funciona mais como contraposição do que fundamento, base, das músicas. O que Cícero forjou ao redor do que canta, sua ambientação, é muito mais interessante do que sua poesia, ainda uma gema sem muita lapidação. Nos seus silêncios e detalhes, “Sábado” diz muito mais do que suas intenções. (Matheus Vinhal)

09.jeneci-300Jeneci
“De Graça”

Logo quando “De Graça” foi lançado, eu arrisquei uma definição brincalhona no Twitter: “Still fofo after all these years”. Ainda que não haja nenhuma referência ao clássico Paul Simon no álbum, a provocação funciona a funciona a favor de Jeneci. “De Graça” reforça os temas e ideias desenvolvidos por Jeneci em “Feito Pra Acabar”, ao mesmo tempo em que mostra a imensa evolução do artista nesses três anos. Cada dia mais confiante e ousado, Jeneci se permite ir do mais trivial ( “Só Eu Sou Eu”, “De Graça”) ao mais elaborado (“9 Luas”, “Pra Gente Se Desprender”), angariando no processo uma multidão de colaboradores de dar inveja a qualquer um. (Livio Vilela)

08.ruspo-esses-patifes-300Ruspo
“Outros Patifes”

Por onde anda Ruy Sposati é por demais simbólico para não estar a seu lado. Talvez, por isso, tenha eu dificuldade para me decidir e ir junto ao álbum, temeroso de ser contaminado por algo antes à música. Contudo, “Esses Patifes” é um álbum que nasce para ser ouvido mesmo. O estranho que me aborda na rua me pede mesmo atenção. Meu temor é reflexo do que Ruy Sposati necessita falar. Eu o escuto. Não há câmeras escondidas. Os poucos erros de “Esses Patifes” são oriundos do afã que o faz emergencial como obra de arte. Ruspo é um narrador, não um ator. Você que se decida entre se comover ou não com o relato; ele, porém, não é tão ensaiado e bobo como o pop já-nem-tão-independente brasileiro está nos acostumando. (Yuri de Castro)

07.Rodrigo-Amarante-CavaloRodrigo Amarante
“Cavalo”

“Cavalo” é um disco temático, sobre o difícil ir e vir de uma pessoa para um lugar desconhecido. Esse lugar pode ser tanto um lugar físico, como os Estados Unidos, como uma situação de vida inesperada. Rodrigo Amarante consegue entregar um disco que é o claro resultado de muitos anos de apuro e apuros, que traz a marca da reflexão de um momento novo e solitário e passa pelas melhores qualidades do cantor enquanto músico e compositor. Ele consegue entregar canções que não são reféns do seu ‘passado glorioso’ em uma das bandas mais influentes das últimas duas décadas e que, se não apontam para um lugar totalmente novo, ao menos mantêm as características que o fizeram um dos compositores mais interessantes da nossa música recente. (Matheus Vinhal)>/span>

06.Castello-Branco-ServiçoCastello Branco
“Serviço”

“É hora de abandonar o terno”, canta em minha cabeça Castello Branco. Bem, não tem essa frase em momento algum de “Serviço”. Mas é um desses álbuns fáceis de se desdenhar tamanha garrafalidade da letra que imprime o nome do destinatário. Como se catasse todos os fãs da neo-hippie música brasileira, “Serviço” dá um belo trato na preguiça de Marcelo Camelo, Cicero, Wado e outros exemplares que misturam doses de universidade federal com um pouquinho assim de esperteza. Aqui, não. Harmonia, paz e versatilidade não soam bobas quando adjetivam este belo álbum do ex-R. Sigma. (Yuri de Castro)

05.apanhador-so-aqtco-300-1Apanhador Só
“Antes Que Tu Conte Outra”

Num ano em que o rock independente brasileiro empreendeu uma espécie de ruptura silenciosa com que se esperava dele, nenhuma mudança foi tão chocante e tão barulhenta quanto a do Apanhador Só. “Antes Que Tu Conte Outra” arranha, pisa e quebra todos os elementos que marcavam a música do grupo gaúcho. E vai além: nenhum álbum conseguiu entender tão bem o sentimento de desconforto e desilusão que pairou sobre o Brasil em 2013. (Livio Vilela)

04.passo-eletricoPasso Torto
“Passo Elétrico”

O acréscimo da eletricidade no segundo disco do Passo Torto paga o preço de se abrigar longe do desencantamento standard do amor e da saudade. Esgarça ainda mais o samba já não-convencional do primeiro disco e nasce de um choque de realidade de quem caminha pelas ruas de São Paulo com o peso da tradição nas costas. A capital paulista permanece cenário, personagem e enredo. Os pedais que desorientam os sons da guitarra, do cavaquinho e do baixo acústico vestem o samba de rock e resultam em uma rica sobreposição de melodias e uma marcação ritmica que nem sempre se coloca a serviço das letras. O tema geral desse passo é o estranhamento e o sentimento de desilusão que acompanham o progresso. Por tudo isso, o “Passo Elétrico” avança na permissão de reinterpretar, reprocessar e entortar o samba, seu suporte, na crônica das cidades cinzas e dos dias estranhos, desfazendo o coro de quem se pergunta se a canção, de fato, ainda agoniza. (Thiago Borges)

03.sp-underground-beija-flors-300-1São Paulo Underground
“Beija Flors Velho E Sujo”

“O som precisa ser dividido, quebrado, batido, acariciado, beijado, afundado, enterrado e catapultado para novas dimensões de modo que inicie um diálogo entre universos”. Ninguém vai explicar “Beija Flors Velho e Sujo” melhor do que Rob Mazurek. Sinóptica, a frase traz a imagem do som do São Paulo Underground, projeto original de Mazurek e Maurício Takara (mais tarde, com a companhia fixa de Gulherme Granado). À primeira vista, o tom desse trecho do release escrito pelo próprio músico pode parecer um pouco dispersivo mas não poderia ser mais preciso. A ação sobre o som (dividir, quebrar, beijar…), traduzida na manipulação em pós-produção, é peça-chave na concepção desta obra que, mesmo tendo Mazurek como centro de seu universo, ganha enorme extensão no pesado aparato sonoro de Takara e Granado. (César Márcio)

02.emicida albumEmicida
“O Glorioso Retorno De Quem Nunca Esteve Aqui”

Em pouquíssimo tempo, Emicida tornou-se a alternativa mais viável do pop brasileiro. Em um estalar de dedos, o marrento das rinhas tornou-se amigos de quase todos os pilares negros da música brasileira. “O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui” é uma resposta à falta de concisão das várias mixtapes confeccionadas anteriormente e também uma tentativa de cosa nostra — e que atira para todos os lados. Samba, funk, contundência (e até uma polêmica misógina) e, em momento algum, conciliação com o que acostumamos a chamar de rap radiofônico. Para o pop brasileiro só há Anitta e Emicida. (Yuri de Castro)

01.dorgas-sem-titulo-300-1Dorgas
“Dorgas”

Durante os quatro anos em que está na ativa, o Dorgas manteve todo mundo correndo em círculos tentando responder às perguntas que sua música dispara em nossa direção. E “Dorgas”, ao invés de esclarecer qualquer coisa, propõe 9 novos pontos de interrogação. E isso é exatamente o motivo do álbum estar aqui, quase 8 meses depois de seu lançamento.

“Dorgas” talvez seja o primeiro álbum realmente realize a ideia de que tudo é possível, algo que vem quicando pela música brasileira nos últimos 50 anos, e que, em referência mais próxima, é a força motriz por trás das bandas mais influentes para as últimas gerações da produção carioca, o Mulheres Q Dizem Sim e o Acabou La Tequila. O resultado é que “Dorgas” parece não atender à nenhuma gramática ou tradição, ainda que parta de referências bastante identificáveis e brinque com estruturas relativamente convencionais (“Bósforo”, “Viratouro”). É uma ruptura tão bem executada que é até compreensível que tenha alienado tanta gente: justamente por não atender nenhuma expectativa, o Dorgas fez o melhor álbum que ninguém poderia ter imaginado. (Livio Vilela)

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