Os Melhores E Piores Funks De 2013 (até agora)

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Sim, a nossa lista de meio do ano de  melhores funks no ano já está no ar. E, benza deus, maior do que a de 2012. Ano passado, modéstia de lado, acertamos em cheio (confira aqui): “Poxa Vida” e “Normal, Mamãe Passou Açúcar em Mim” só estavam estourados no Rio de Janeiro e, além disso, ainda rolou um primeiro lugar pro melhor funk que nenhuma rádio tocou. Isso sem contar que cravamos, em outubro, “Passinho do Volante” antes da moda óbvia ser moda de fato em novembro. Não é mais do que nossa obrigação com o gênero mais interessante na música popular brasileira. No entanto, também erramos: implicamos com o mais do que hit “Plaque de 100”, do MC Guime — demos mole. Mas, em compensação, fizemos o serviço bem feito com os lixos do MC Boy do Charmes e da MC Byana.

Em 2013, um ano triste por causa da morte de MC Daleste, a constatação é simples: o funk ostentação se popularizou tanto que cansou. Nenhum dos MCs destaque do ano passado conseguiram repetir músicas boas em 2013. E, mais uma vez, o hit do ano — e o melhor funk — é do Rio de Janeiro. Alô, São Paulo: o problema não é a ostentação; o problema é que tá chato. Então, vamos à lista desse ano dos melhores (e piores) funks. Ah, é preciso registrar o serviço maneiro do Renato Prada, o Natinho. O moleque é o rei do You Tube ostentação e já virou referência pra quem quer divulgar funks na internet.

OS MELHORES

06.bonde-das-bonecasBonde das Bonecas / MC Nego do Borel
Faz o Quadradão / Brincadeira das Maravilhas

É claro que todo mundo falou do quadradinho de oito. Mérito das meninas do Bonde das Maravilhas que conseguiram traduzir pro funk uma posição sexual só usada em filme pornô americano. O mais importante é que “Aquecimento das Maravilhas” trouxe a tona:

  • 1 (um) bonde formado por meninos cariocas assumidamente gays
  • 1 (um) bordão sensacional: eu adóóóóóóóóóóóóóóro

O primeiro é o Bonde das Bonecas que começou utilizando a obra-prima das Maravilhas para gravar um videoclipe no meio da rua. Logo depois, a proposta evoluiu para uma música referencial ao próprio bonde no qual, assim, do nada, bem de repente mesmo, um dos integrantes do grupo leva ao pé no queixo caracterizando tal movimento como “carão com o pé no queixo”. Nada pode ser mais maravilhoso. Simultaneamente, já tava todo mundo no Rio falando “eu adóóóóóóóro” da mesma forma estilizada por MC Nego do Borel na também referencial “Brincadeira das Maravilhas”. Impossível passar incólume ao pop brasileiro.

Faixa Bônus

MC Netto – “Nheque Nheque” e MC Dudu e Bruninho – “Vem Pode Pá Que Tem”

Quem disse que não tem humor no funk de São Paulo? Eu. Ok, mas há quem tente. E até que rola. MC Netto fala do barulho da cama dela em “Nheque Nheque” e MC Dudu e Bruninho esbanjam alguns kits explorando aliterações em “Vem Pode Pá Que Tem”. Dá certo. O grande problema segue sendo a falta de criativade na produção — “Nheque Nheque”, particulamente, é bem chata em algumas horas. Mas vale o registro.

05.marombaMC Maromba
Quem É Que Te Come? (ou Quem É Teu Homem?)

Adolfo França, o MC Maromba, foi entrevistado aqui no Fita Bruta. Estudante de cinema, o simpático gordinho se orgulha da barriga de chopp, é uma simpatia e, de quebra, trouxe o DJ Coringa (a voz mais famosa dos bastidores do funk carioca) para o estrelato. Mais: depois de tentar emplacar umas canções cheia de duplos sentidos (ou mesmo de sentido direto mesmo), Maromba realizou um clipe-paródia do funk ostentação com refrigerante Dolly, carro dos anos 90 e gordinhos sensualizando. De quebra, a música é sensacional na versão radio edit e na versão proibidona.

04.mc-tarapiMC Tarapi
Novinha Safadinha

O pirata ao revés (leia tarapi de trás pra frente) é dono do maior hit de 2013 no funk — isso sem contar que ele parece muito o Will Smith fase “Um Maluco No Pedaço”. Claro que seu principal sucesso já chegou ao sertanejo — uma besteira já que a versão com Victor e Neto censura o “cu” da palavra “escorrega”, forçando Tarapi dar ênfase no “co” da palavra. Se você somar isso à voz fanha do MC, a tragédia é quase completa. Mas vamos falar de coisa boa: “Novinha Safadinha” é um dos hits mais maneiros dos últimos tempos do funk carioca e ganhou inúmeras versões feitas pelo próprio Tarapi numa ousada e involuntária ação de marketing. Tem versão pro Pistão (famoso baile do Complexo do Lins), tem versão com bambu, tem versão com orgão sexual masculino e tem até versão acústica (confira uma por uma nesse link aqui). Isso sem contar que é a música é insistentemente cantada na apresentação do MC no programa “Roda de Funk” (totalmente a revelia de Tarapi, já que quem insiste é um dos apresentadores e, assim, o nosso querido MC não consegue mostrar as suas músicas novas).

Faixa Bônus

Montagem: “Mama Eu e os Amigos” (com MC Magrinho, MC Fahel e VN) e Anitta – “Medley Putaria”

O gênero mais interessante da música popular brasileira assim se faz porque dialoga: com a putaria, com a homossexualidade, com o machismo, com o feminismo, com a pobreza, com a luxúria e por quê não seria assim com o humor? Há muito tempo o funk carioca é bem humorado (e é esta a principal diferença entre o funk feito nesta cidade e em São Paulo). Não há humor no funk ostentação. Sendo assim, eleger uma montagem que usa e abusa do melhor vídeo (assista aqui) do Porta dos Fundos não é, nem de longe, um absurdo. Um primor de montagem featuring a original “Mama Eu E Os Amigos”, de MC Magrinho, MC Fahel e VN. A diferença é que nesta montagem, os versos de MC Fahel não são utilizados. Pouco importa.

Ah, Anitta. Que insensatez. Você faz ao vivo o que não chega nem perto de fazer em seu álbum (já leu nossa crítica sobre?). Mas, olha, se um dia você gravar um DVD com seus movimentos desse medley em loop, prometemos que ganha nota 10 e selo Fita Recomenda em nosso site. Valendo-se de MC Beyonce, MC Magrinho, MC Tarapi e Tati Quebra Barraco, esse medley é um absurdo e ganha selo “Tamo aí nessas carne”. Mas conhecido também como “gostaríamos muito”.

03.Dede 150150MC Dede
Linda Menina

Já falamos dela aqui no Fita Bruta. E faço questão de falar: Dede é o mais interessante MC atualmente do funk no Brasil. Original de Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo, MC 2D é quem mais dialoga com o funk dos anos 90. Ano passado foi uma sequência extraordinária de hits: “Pani Na Nave”, “Bum bum na água” e, claro, a melhor de todas, “Rolê de Hayabusa”. Esse ano, o DJ Carlos Nunez foi sagaz o bastante para perceber que o pancadão podia dar lugar a algo mais próximo do pop-funk radiofônico. A consequência foi gravíssima: em primeiro lugar, segundo o próprio DJ, muita gente torceu o nariz. Mas, em segundo, porém não menos importante, a música é melhor do que qualquer coisa do Naldo. É leve e não é boba e tem tudo o que o Dede fala nas outras músicas. Se o artista diminuisse a quantidade de RTs que dá nas menções que recebe, seria ainda melhor (brincadeira). Dede é tão show que emplacou não só uma música aqui na lista de melhores como assim também fez na lista de piores. Polivalente.

02.mc-carolMC Carol
Não Consigo Esquecer

O que falar de MC Carol? Tem voz de menino marrento, estrelou um dos funks lado-b mais brilhantes da história (e que ganhou primoroso clipe não oficial utilizando-se de uma cena do seriado Chapolin) e, mais do que tudo, é a melhor compositora do gênero. Tal alcunha que lhe dou vem da sua sinceridade e espontaneidade em suas letras: seja falando de quem manda na casa, seja falando do efeito psicotrópico de alguma droga, de como a vó não tem muita noção financeira ou seja falando de como não consegue esquecer o ex-namorado. Não é necessário dizer: neste último episódio da biografia de Carol, o amado está casado, em outra casa e, nesta letra, é desesperadamente chamado de desgraçado e outros palavrões tamanha a a raiva da MC de estar longe do querido. Um show de sinceridade, passionalidade e interpretação.

Faixa Bônus

MC Danado – “Plin Plin”, “Daquele Jeito” e “Musa”

MC Danado é o MC subestimado do funk ostentação. O sucesso dele começou com a incrível “Top do Momento”. À época, o melhor clipe do subgênero. Já era possível ver a habilidade do MC para compôr refrães. Não é diferente em 2013. Só nesse ano são três: “Plin Plin” (o clipe é massa e rola um reggão na intro), “Daquele Jeito” (o clipe é ok e tem refrão sensa) e “Musa” (que tem ponte e o refrão mais inusitado de todo o funk contemporâneo). As três não possuem semelhanças e cada uma traz um ápice bem diferente um dos outros, expondo a destreza e a voz maneira do cara. É a síntese do pancadão com a boate sem afetar muito a identidade do funk. Bem diferente do nosso primeiro lugar na lista de piores.

01.bigode-grossoMC Marcelly
Bigode Grosso

A letra diz que a linguiça toscana é só para as mulheres e que não vai ter cerveja; só uns 10 freezers de Red Bull. Não consigo afirmar se este tipo de configuração churrasqueirística está virando um padrão no Rio de Janeiro. Mas vamos direto ao assunto: do que vive o funk? Do imediatismo. A ideia não precisa ser brilhante. Acima de tudo, precisa colar, precisa ter liga. Mais do que um refrão, é preciso de um bordão. E, por que não, chamar isso de um gênero em busca de um meme? Marcelly conseguiu. O refrão de “Bigode Grosso” é um bordão melhor do que os veiculados no Zorra Total em uns cinco anos. Originalmente, a música é dedicada a retratar uma festa no Complexo do Lins, casa de traficantes fugidios das comunidades pacificadas do Rio de Janeiro — no caso, os donos da festa são Americano e Brinquedo (egressos do Comando Vermelho e, atualmente, em detenção). Os dois já ganharam diversas (e boas) homenagens. Na versão oficial da música, a citação aos dois foi censurada bem como as citações ao LSD e ao lança-perfume (e o clipe é uma lástima e um desperdício — desperdiçando todo o potencial memético do refrão). Bom, pouco importa quando o refrão é bom pra caramba (sem contar o sample maravilhoso — saiba qual é aqui). Uma pena que não exista nenhum jogador que ostente algum tipo de bigode para que essa música seja entoada à exaustão no Maracanã.

OBS: tal como Tarapi, Marcelly também gravou várias versões de “Bigode Grosso”. “Tu tá maluco, respeita o moço, ó, o DJ Fulano dá aula, bigode grosso”. Onde fulano é substituido por um monte de DJs espalhados pelo You Tube.



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