The Shins @ Bataclan, Paris (26/03/2012)

It feels good to sweat”. Na tradução livre do Fita Bruta, algo mais ou menos como: “É maneiro dar uma suada”. Foi essa a frase mais eloquente de um James Mercer visivelmente contente, mas, como sempre, comedido, na última segunda-feira, 26 de março, no Bataclan, em Paris. Uma frase como essa, no contexto daquela agradável noite de 20ºC, pode representar duas sensações diferentes, mas concomitantes. A primeira e mais óbvia: é bom, é maneiro estar nesse calorzinho, de uma Paris à beira da primavera, dado que o grupo acaba de vir de Portland, Oregon, onde, segundo o próprio cantor, nevava. E a segunda sensação, mais circunstancial, mas não menos verdadeira, considerando que a casa de shows estava ligeiramente abafada: é bom, é gostoso voltar aos palcos e sentir o calor do público.

Depois de praticamente cinco anos sem lançar um disco e alguns shows espalhados, vemos um grupo – em especial Mercer, claro – visivelmente feliz em tocar suas novas músicas, que dominam mais da metade do show, enquanto seguram a plateia nas canções dos discos anteriores. Com um bom disco recém-lançado, é interessante acompanhar ao vivo esse momento em que as músicas novas não são tão conhecidas – ainda que tenha havido quem já cantasse a nova balada September – e perceber como Mercer e companhia detêm seu público na palma das mãos.

No show também se torna mais clara a posição na qual o The Shins se encontra (ou parece encontrar-se, tudo depende do desempenho do novo álbum perante o grande público): uma transição de culto cult (risos), um grupo muito amado por relativamente poucos, para o status de grupo mais conhecido e reconhecido, uma banda mais pop que alternativa, digamos. As novas músicas ajudam: são mais diretas, mais acessíveis: mais pop, não há outro adjetivo melhor; e essa característica se acentua quando colocadas ao lado das canções dos discos anteriores. O que diferencia o The Shins de outros tantos grupos indie com marcas pop é justamente um cuidado especial com os detalhes, os efeitos, e isso ao vivo se mantém admiravelmente, em especial nas guitarras de Jessica Dobson (linda e irrepreensível, a propósito).

Outro ponto a se destacar é a voz de James Mercer. Afinadíssimo, segurando as notas altas com firmeza e segurança, Mercer completa com sua voz uma transposição quase perfeita do The Shins dos estúdios para aquele dos palcos. Com tantos acertos e poucos erros, com um disco em divulgação que mantém a qualidade dos anteriores, com o tempo longe dos palcos e a espera do público a seu favor, o The Shins tem a apresentação bem ali, nas suas mãos. E como nos discos, não fica aquém do esperado, jamais decepciona.

The Shins @ Bataclan, Paris (26/03/2012)
  1. So Says I
  2. Mine’s Not a High Horse
  3. Simple Song
  4. Bait and Switch
  5. Australia
  6. Marisa
  7. Phantom Limb
  8. Sphagnum Esplanade
  9. Saint Simon
  10. September
  11. Kissing the Lipless
  12. It’s Only Life
  13. Caring Is Creepy
  14. The Rifle’s Spiral
  15. New Slang
  16. Sleeping Lessons
Encore
  1. Young Pilgrims
  2. Port of Morrow
  3. One by One All Day
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