Rodrigo Tavares | ¡Adiós Esteban!

Rodrigo Tavares

¡Adiós, Esteban!

[Independente; 2012]

4.5

ENCONTRE: Site Oficial

por Yuri de Castro; 29/08/2012

 

Esta crítica propõe um exercício lúdico ao final do texto

“¡Adiós, Esteban!” é sobrevivência. Encare isso de forma poética, teremos um artista — a necessidade de criar, de se revelar. Encare isso friamente, temos arte: a arte de fazer mais com o mesmo. Se encaramos com desconfiança o chão de referências e repetições escolhido por Rodrigo Tavares, hesitaremos ainda que em frente a este cantor e compositor: um hábil engenheiro e manipulador de refrões e chavões musicais de seu nicho. No entanto, qualidades outrora já demonstradas como principais em/por sua ex-banda, Fresno.
Tavares é um compositor mediano. O charme de suas letras ainda é apelativamente adolescente e explora antíteses (te encontro/me perco; te vejo/me cegar) como se recurso esplêndido fosse. Quando tenta se disfarçar um pouco menos, como em “Pianinho”, combina melhor o tom pueril de suas letras com o soft-rock que tenta impôr a quem lhe acompanhou nesta rota autoral mesmo antes de anunciar a saída de sua banda. Mas a falta de esmero e critério em cada letra de “¡Adiós, Esteban!” é um déjà vu do que a banda porto-alegrense vinha jogando no pop-rock. “Visita”, ponto alto do início do álbum, revisita sua melhor canção (em parceria com Lucas Silveira), “Porto Alegre” (ouça).
Mas é um tal de rimar infinitivo com infinitivo (veja figura abaixo) e desembocar em um refrão mequetrefe que, devido ao comportamento do mercado, soar fácil acabará sendo um ponto a favor deste trabalho. Assim, não encontrará resistência dos débeis programadores das rádios brasileiras e tampouco exigirá muito esforço de quem carrega música em seus carros e iPods para ter uma música de fundo em atividades quaisquer. De qualquer forma, “Sinto Muito Blues” (com a participação de Humberto Gessinger), “Muito Além do Sofá”e o refrão de “Segunda-feira” tornam o álbum um breve exercício de Tavares. Breve.

 

Em suma, “¡Adiós, Esteban!” é leve sem transformar isto em conceito. Ou seja:  suas letras recitam algumas situações complicadas, pesadas e confusas pro eu lírico das canções; no entanto, em momento algum isto é traduzido e acaba se dissolvendo em canções que mais parecem uma foto (com filtro) do quarto (seguro) do cantor e compositor onde se reúnem seus quadros, narrações de gols do Internacional e clichês prediletos. Quando assumiram-se menos intocáveis como banda e flertaram com os adjetivos “brega” e “sensível”, a Fresno ganhou fôlego e também paciência para exibir influências que poderiam não ter soado imediatamente tamanho furor do mercado à época de quando os acolheu. Mas isso, de maneira alguma, significa que houve por parte de seus integrante um esforço de reciclagem criativa; ao contrário, a banda seguiu por inércia da conquista de um público e mercado fieis cativados a base de alguns bons singles. “¡Adiós, Esteban!” é um disco para fãs que se sintam atraídos por este resquício de Fresno e de síntese brega que permeia de forma muito rarefeita (e pobre) o conteúdo poético de Esteban Tavares. Segundo o artista, via Twitter, a pré-venda esgotou-se. Sintomático. As canções não dizem mais nada. Poderiam dizer. Mas não dizem.

 

PS: Vale ressaltar a falta de polidez da qual sofrem  muitos artistas independentes que fazem da internet seu principal ponto de contato com o público. Quando não se lembram que nem sempre são fãs os que irão atrás de seus produtos, o erro é grotesco. No caso de “¡Adiós, Esteban!”, disponibilizado gratuitamente em site oficial, o download do conteúdo só era possível caso uma mensagem obrigatória fosse postada em um perfil no Facebook ou Twitter. Não bastasse isso, a mensagem era constrangedora (veja aqui).

 

PS²: Assim como este crítico que vos fala, você também pode se divertir com “¡Adiós, Esteban!”. O exercício proposto é: conte quantas vezes Rodrigo Tavares rima a primeira conjugação do infinitivo (_AR) com a palavra “lugar” ou conte quantas vezes a palavra “você” irá rimar com a segunda conjugação do infinitivo (_ER).
  • Firmino

    deve ser ruim, a pena é que tu te diz crítico, fala mal do cara, mas não sabe direito o Português.

  • Engraçado eu tive essa mesma percepção, que muitas vezes rola uma repetição desnecessária do infinitivo e que, mesmo que levemos em conta aquele conceito de álbum que conta uma história e que uma música puxa a outra e bla bla bla (não só um apanhado de músicas desconexas entre si) algumas músicas parecem a mesma contada (cantada) de outra forma com outra melodia mas na essência a mesma coisa. Confesso que esperava mais, dado o suposto furor que se criou em torno disso, mas não chega a ser ruim, me passou aquela coisa de antena 1, sonzinho rolando de fundo e você desempenhando alguma atividade relaxante sem necessariamente prestar atenção no refrão ou sair assobiando a música.

  • Engraçado eu tive essa mesma percepção, que muitas vezes rola uma repetição desnecessária do infinitivo e que, mesmo que levemos em conta aquele conceito de álbum que conta uma história e que uma música puxa a outra e bla bla bla (não só um apanhado de músicas desconexas entre si) algumas músicas parecem a mesma contada (cantada) de outra forma com outra melodia mas na essência a mesma coisa. Confesso que esperava mais, dado o suposto furor que se criou em torno disso, mas não chega a ser ruim, me passou aquela coisa de antena 1, sonzinho rolando de fundo e você desempenhando alguma atividade relaxante sem necessariamente prestar atenção no refrão ou sair assobiando a música.

  • EWERTON HENRIQUE

    O Amigo acima teve que publicar duas vezes seu comentário para ver se ganha algum like.

  • Antonio Lucas

    Pior resenha que eu já li.