Gossip | A Joyful Noise

Gossip

A Joyful Noise

[Columbia Records; 2012]

1.0

ENCONTRE: iTunes

por César Márcio; 25/05/2011

Orgulhosamente obesa, orgulhosamente lésbica, orgulhosamente mulher. Dona de uma voz potente, de acento soul, algo bastante prezado na década de Amy Winehouse- Adele. Para completar, sua banda tinha inclinação disco, música dos excluídos, dos negros, dos gays… O pacote Beth Ditto sempre foi maior que sua música e maior que o Gossip, por consequência. Moda e publicidade, terrenos dominados com maestria pela musa do chubwave, nunca olharam com os mesmos olhos para a banda. Talvez porque, mesmo entre os insípidos representantes do gênero na década (Hercules & Love Affair, LCD Soundsystem e outras pilantragens), o Gossip fosse, sem dúvidas, o menos talentoso. Para se aproveitar do status de diva outsider de sua líder, o grupo vem aliviando a já mínima dose de fúria do início de carreira, movimento que chega a fase final com esse modorrento “A Joyful Noise”.

Antes de prosseguir, é bom pontuar que não existem duas músicas. Sendo assim, é perfeitamente razoável que uma banda de nicho procure um lugar ao sol no mainstream. Mas não parece legítimo apostar numa pretensa inocência desse público. Pode ser que esse público seja mesmo inocente, mas ele gosta de ser enganado com truques mais elaborados. Exemplo: quando Lady Gaga (“Born This Way”) recicla Madonna (“Express Yourself”), ela o faz com todo um aparato que inclui desde mensagens inclusivas a fetiches sexuais. Quando o Gossip (“Get Lost”) recicla Madonna (“Vogue”), se limita a simplesmente reciclar.

Mas é ao se aproximar de artistas contemporâneos, que álbum apresenta sua face mais constrangedora. Em “Get a Job”, tatibitate dance-pop que chega a provocar risos, Beth Ditto consegue se apequenar até diante de Ke$ha, uma anta assumida e orgulhosa. Coisas como “Move In The Right Direction” e “Involved”, que ditam o tom de incipiência do álbum, dificilmente ajudarão a reposicionar a banda americana no cenário musical, mesmo no segundo escalão da música pop.

Ouvir esse quinto disco do Gossip é como ver alguém tentando encaixar um objeto bem grande numa caixinha bem pequena: vai se dispensando os excessos, cortando as arestas, apertando pra caber, tanto que não sobra quase nada. Esse alguém é o produtor, Brian Higgins (assinando como Xenomania), cafajeste de primeira. Esse objeto bem grande, claro, é Beth Ditto. E o quase nada é “A Joyful Noise”, uma anódina incursão do trio num cenário mainstream cada vez menos inocente. Traduzindo livremente o título como “um barulho divertido”, vemos que a poda foi tão severa, que o Gossip nem mesmo conseguiu cumprir a promessa estampada na capa: não tem barulho, muito menos diversão.

  • Renan Guerra

    Esse é o quinto disco do Gossip e não o terceiro, os discos são: “That’s Not What I Heard”, “Movement”, “Standing in the way of control” e “Music for men”. Os dois primeiros se aproximam mais do punk, do que do pop que a banda busca agora.

  • César Márcio

    É verdade, corrigido.