Por Diego Fagundes

De tempos em tempos surge um disco que pode ser usado como tipo ideal de um momento ou de um lugar (ou dos dois). Há os discos bons (isto é, os exemplos bons) e os discos ruins (que é o caso de “Pitanga”). Ambos são, como diz o filósofo, bons pra pensar (embora os segundos naturalmente não sejam bons pra ouvir).

“Pitanga” serve para pensar no que temos sido capazes de produzir no Brasil, e expõe várias nuances do nosso atraso (pelo menos para que possamos olhar o atraso de frente e entender do que ele é formado). Sim, porque Mallu Magalhães fez um disco a partir de referências estacionárias, cansadas e sem cor – as mesmas, aliás, que servem de base para a maioria das bandas que produzem música independente no Brasil de hoje. Todos sabemos, no entanto, que música, antes de ser velha ou nova, é boa ou ruim, e que a análise daquelas características deve, sempre que possível, ser colocada em segundo plano e subjugada à análise destas últimas. “Afinal de contas, trata-se de um disco bom ou de um disco ruim?”: esta é a pergunta – ou melhor, esta deve ser a pergunta quando se escreve a respeito da música produzida em um ambiente (ou em um momento) favorável à criação artística em si, e quando não há amarras de atraso a restringir e questionar cada um dos movimentos de cada um dos artistas que se propõem a produzir qualquer coisa minimamente relevante. Mas, quando se trata de um disco brasileiro, não é bem assim que funciona.

Cada disco brasileiro flutua dentro de uma espécie de “filtro sonoro” que revela em maior ou menor medida o atraso monstruoso em que fomos nos metendo desde que desistimos de perseguir o diálogo livre com o que a humanidade produz de mais bonito (ou desde que inventamos que dialogar é “reinterpretar” e “abrasileirar” tudo o que não é produzido no Brasil, criando a eterna atmosfera artística de miscigenação artificial e forçada que nos impede de manter o foco no que realmente importa e transcender nossa própria natureza – isto é, de fazer arte que esteja à altura do que se produz em outras partes do mundo). “Pitanga” tem um filtro destes, e a coisa é tão flagrante, explícita e barata que é praticamente impossível levar os ouvidos para outra parte; isto é, prestar atenção em outra coisa que não seja o nosso atraso (ou os sinais do nosso atraso). É um disco produzido e, digamos, projetado por Marcelo Camelo. Soa, em tudo, como um disco do próprio Camelo, só que cantado por sua namorada. E é a mão dele – Camelo – que conduz a elaboração de um disco incrivelmente velho e sem criatividade.

Mallu, por sua vez, é uma compositora limitada que se espelha em padrões e normas popularizados pelo namorado. O sentimentalismo apaziguador de Marcelo Camelo (aliado a uma posição segundo a qual a própria criatividade brota deste sentimentalismo, sendo, portanto, um impulso “afetuoso” e “sincero” que “vem do coração” e que torna o processo de criação algo incontrolável – a obra de arte que não pode ambicionar ser nada além de um comentário sobre esse afeto sentimental inocente, ainda que essas sejam reflexões vazias, como é o caso das canções que Mallu escreve), livre de conflitos que não sejam amorosamente sofridos a dois, contamina e enfraquece o impulso criativo de tal maneira que “Pitanga” se desenrola como uma longa ladainha de amor feliz e bem resolvido, sem nenhuma questão de fundo que possa servir para instigar a mente do ouvinte, sem nenhum indício de criatividade lírica e melódica que aponte para uma criação artisticamente relevante ou cheia. É um disco sem tema, sem trauma, sem problema, sem cisão, sem crise, sem perturbação do espírito (sem a existência de um aspecto propriamente humano, portanto). É como se Mallu Magalhães não estivesse nem feliz nem triste, mas quisesse muito fazer um disco porque está convencida de que nasceu pra isso. Pensando bem, tudo se apoia mesmo no resumo dessa técnica, o mote que tanto repetem por aí: “Música é minha vida” – uma frase que é mais um discurso de auto-divulgação do que a manifestação tantas vezes trágica de uma verdade inescapável e quase sempre dolorida (a situação do artista que encontra na música as suas únicas formas particulares de desconstrução/reconstrução). Menos a expressão de um cerne artístico verdadeiramente tenso e profícuo e mais a declaração de que há algo que se quer ser e não se é (porque talento não brota do nada, e porque dizer que música é sua vida não faz de você um artista competente).

Vários dos anzóis de Camelo estão aqui: o mar (seguido do verbo “navegar”), a palavra “moreno”, um ou dois sambas (ruins), levadas de bateria que flertam com um vaudeville datado (implantadas num bolero que descreve a natureza essencialmente vazia e crivada de lugares comuns da protagonista da canção), bobagens cotidianas (que, empilhadas e combinadas à voz mole e arrastada da cantora, vão causando uma sensação de letargia que também diz muito sobre a música independente brasileira) etc.

“Pitanga” não chega a ser interessante nem quando Mallu pretende talvez insinuar um indício de profundidade ao falar sobre o medo de ver a felicidade de perto – um tema que eu, pra ser sincero, acho que poderia vingar, mas, pra isso, Mallu precisaria transformá-lo em uma canção inspirada e intranquila o suficiente para transmitir a ideia de verdade; teria que quebrar sua própria rotina de composição, portanto. O que ocorre é que a cantora está entorpecida demais pelo sentimentalismo da vida, das pequenas coisas, da ascese de “viver devagar”. Mallu – sem perceber – está atolada na ausência de um motivo real que a leve a escrever. Afinal de contas, um disco como “Pitanga” é uma extensa (e tediosa) reflexão sobre não ter motivos para refletir. Sobre uma vida mansa em que nada acontece e nem perturba a calmaria na superfície da poça d’água. E talvez seja também um exemplo de como não ter uma fratura leva invariavelmente a um trabalho sem inspiração. 32 minutos de giro em falso.

  • Zefulaninho

    Eu sei o nome disso: Começa com RE termina com CALQUE

  • Bárbara Pinheiro

    Sua crítica está bem elaborada, no entanto o que eu mais me peguei pensando é que tudo que você como crítica, eu concordo e vejo justamente como o encanto do disco. Por Exemplo, “O que ocorre é que a cantora está entorpecida demais pelo sentimentalismo da vida, das pequenas coisas, da ascese de “viver devagar” .
    Então logo posso concluir que este “bom e ruim” tanto citado é mais uma questão de gosto que de verdade explícita e absoluta.

    Bárbara Pinheiro

  • Bárbara Pinheiro

    Sua crítica está bem elaborada, no entanto o que eu mais me peguei pensando é que tudo que você como crítica, eu concordo e vejo justamente como o encanto do disco. Por Exemplo, “O que ocorre é que a cantora está entorpecida demais pelo sentimentalismo da vida, das pequenas coisas, da ascese de “viver devagar” .
    Então logo posso concluir que este “bom e ruim” tanto citado é mais uma questão de gosto que de verdade explícita e absoluta.

    Bárbara Pinheiro

  • Renata Valim dos Reis

    Se você quer criticar o atual cenário musical brasileiro, que te parece o funk, que dominou todos os cantos deste país? Se é pra falar de música boa ou ruim, tem muita música péssima rodando por aí, com letras “profundas”, “questionadoras” e “reflexivas”, basicamente uma apologia ao sexo e às drogas e tem o poder de arrastar multidões, como por exemplo: “to usando crack, larguei minha família, a escola, vc sabe, parei com a maconha, to usando crack, a maconha te engorda, use crack que é mais light, vo perde ‘os meu amigo’, se prostituir faz parte”. Pra mim, sua crítica pareceu mais uma intolerância, uma rixa com o Marcelo Camelo e a tudo o que ele faz, pois a música no Brasil está muito mais decadente do que vc está pensando. Marcelo e Mallu estão aí pra salvar deste monte de porcaria do que pra afundar o nosso Brasil. É uma questão de gosto e de opinião, é claro. Marcelo tem um público enorme, lota casas de shows; Mallu, por sua vez, também tem seu público fiel e que está aumentando cada vez mais. Mallu tem 19 anos, está completamente apaixonada, vivendo sentimentos muito intensos e profundos, deixa ela extravasar e escrever sobre isso, que está tão presente neste momento da vida dela. Em breve, novas fases surgirão, problemas aparecerão, afinal de contas, ela recém é uma jovem adulta e provavelmente (ou não) começará a tratar outros assuntos. Mas isso é problema dela. A primeira faixa do disco é exclusivamente para pessoas como você, que só a criticam. Pode falar qu’ela não liga, não.

  • Lipe_abib

    Diego Fagundes, li sua critica ao pitanga e discordo de alguns pontos à começar quado vc fala.

    livre de conflitos que não sejam amorosamente sofridos a dois, contamina e enfraquece o impulso criativo de tal maneira que “Pitanga” se desenrola como uma longa ladainha de amor feliz e bem resolvido, sem nenhuma questão de fundo que possa servir para instigar a mente do ouvinte, sem nenhum indício de criatividade lírica e melódica que aponte para uma criação artisticamente relevante ou cheia.

    Sinceraente, discordo dessa opinião, Pitanga é sim um cd, além de musicas que mostram conflitos sofridos a dois, um cd que conta a vida de uma jovem que luta para ser aceita (eu me pergunto o que é que eu sou, vai ver eu não sou mesmo nada “Moreno do cabelo enroladinho”) e que graças a deus tem um amor bem resolvido sim, porem, não é esse mar de rosas em que você descreve ouça a musica Cena e vc verá o quanto a Mallu pode errar em um relacionamento.

    Você tbm diz

    É um disco sem tema, sem trauma, sem problema, sem cisão, sem crise, sem perturbação do espírito (sem a existência de um aspecto propriamente humano, portanto). É como se Mallu Magalhães não estivesse nem feliz nem triste, mas quisesse muito fazer um disco porque está convencida de que nasceu pra isso.

    Em primiro lugar não sei pq um disco tem que ter perturbação de espirito, muitas pessoas são felizes, ou tentam tomar o rumo da felicidade. Mas no caso de Pitanga, é um disco que mostra uma mallu com conflitos perturbadores sim, como se ve na musica, por que você faz assim comigo. (Talvez eu seja pequena, Lhe cause tanto problema Que já não lhe cabe me cuidar)

    proxima

    Vários dos anzóis de Camelo estão aqui: o mar (seguido do verbo “navegar”), a palavra “moreno”, um ou dois sambas (ruins), levadas de bateria que flertam com um vaudeville datado (implantadas num bolero que descreve a natureza essencialmente vazia e crivada de lugares comuns da protagonista da canção), bobagens cotidianas (que, empilhadas e combinadas à voz mole e arrastada da cantora, vão causando uma sensação de letargia que também diz muito sobre a música independente brasileira) etc.

    CLARO que teriam “anzóis” do Camelo, além de namorado ele foi o produtor do disco, o que já é meio caminho andado para o disco ser muito a cara dele,além da forte influencia musical que a Mallu assume estar “herdadando” dele.

    Ultima, discordancia.

    O que ocorre é que a cantora está entorpecida demais pelo sentimentalismo da vida, das pequenas coisas, da ascese de “viver devagar”. Mallu – sem perceber – está atolada na ausência de um motivo real que a leve a escrever. Afinal de contas, um disco como “Pitanga” é uma extensa (e tediosa) reflexão sobre não ter motivos para refletir. Sobre uma vida mansa em que nada acontece e nem perturba a calmaria na superfície da poça d’água

    Sim ela É entorpecida pelo sentimentaliso da vida (pq isso não seria bom?) mas ela tem sim um motivo real para escrever. seu amor, suas dores, seus desafetos, seus pais, sua irmã, sua sensibilidade aflorada, sua vontade de seguir em frente em sua carreira, tudo isso que está no pitanga, então achei sua critica nada plausivel. Acho que você deveria escutar o cd de novo e aí sim descobrir quem é Mallu Magalhães, e descobir em sua simplicidade a sua complexidade.

  • Larissa Fafá

    E como sempre, como em todos as situações, os fãs de Mallu/Camelo vão vir falar que você é recalcado, lembrar como o cenário da música nacional é horrível por causa do funk e do sertanejo, do papel de Los Hermanos e trupe de salvá-lo do que a mídia te impõe (num joguinho herói/vilão de desenho animado para crianças) e todos os outros palpites clássicos e clichês da classe média brasileira que se acha intelectualmente superior.

    Gostei da crítica.

  • O Erick Erick O

    está certdo diego

  • Alexandre

    Eu ouvi o disco e pude concluir que enquando eu ouvia, Marcelo Camelo provavelmente estaria introduzindo seu pênis em algum orifício de Mallu. Ou seja: o negocio é comer cu e boceta (da mallu)

    Ale F.

  • Bárbara Pinheiro

    ” É como se Mallu Magalhães não estivesse nem feliz nem triste, mas quisesse muito fazer um disco porque está convencida de que nasceu pra isso. ”

    Lembrei de Cecília Meireles ;” Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa, não sou alegre nem sou triste, sou Poeta!”

  • Bárbara Pinheiro

    ” É como se Mallu Magalhães não estivesse nem feliz nem triste, mas quisesse muito fazer um disco porque está convencida de que nasceu pra isso. ”

    Lembrei de Cecília Meireles ;” Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa, não sou alegre nem sou triste, sou Poeta!”

  • Rafael

    Eu acho que para um cd que foi considerado:
    3º melhor de 2011 pela Rolling Stone
    28º pelo OEsquema
    6º pelo Rockinpress
    24º pela Revista O Grito
    5º pelo site aredacao
    10º pelo site Miojo Is On Fire
    11º lugar na lista dos 11 melhores discos de 2011 pelo outroscriticos.
    8º Lugar pelo site rocknbeats
    9º lugar pela MIXTV
    Uma das 5 melhores músicas de 2011 com Sambinha Bom, pelo musicapave.
    1º Lugar da Lista de Melhores Músicas de 2011 pelo Marcelo Costa (Scream & Yell), com “Velha e Louca”
    10º Lugar da Lista de Melhores Músicas de 2011 pelo Tiago Agostini (Portal Terra), com “Youhuhu”
    7º Lugar da Lista de Melhores Músicas de 2011 pela Rolling Stone, com Sambinha Bom.
    26º lugar da lista das 30 melhores músicas de 2011 pelo Rockinpress, com Sambinha Bom.
    18º da lista das melhores músicas de 2011 pela revista O Grito, com “Velha e Louca”.
    10º do TOP 10 do site escutonometro, com “Olha só, Moreno”.
    8º Lugar dos Melhores artistas de 2011 pelo site ohfuckmusic.
    Top dos melhores cds de 2011, pelo Gabriel Vituri, repórter no mtv.com.br
    Top dos melhores cds de 2011, pela Jackeline Salomão, repórter do mtv.com.br
    Top dos melhores cds de 2011, Leandro Meireles, editor do mtv.com.br
    Top dos melhores cds de 2011, Leka Perez, diretora do Top 10 (MTV)

    Acho que você precisa de mais embasamento nos teus argumentos, hein? Criticar por criticar é muito fácil. Aprenda com aqueles que sabem diferenciar e apreciar o trabalho de um artista do seu lado pessoal.

  • Natália Di

    Quando li a critica confesso que me decepcionei com o blog que sempre se mostrou tão empolgado com a evolução da musica brasileira e internacional nesse novo e ao mesmo tempo velho mercado da musica independente. Então, minutos depois imaginei o autor disso um infeliz com a vida que tem incomodo de escutar musicas alegres por isso possivelmente invadir seu espaço melancólico e desfazer seu momento contingente de felicidade, logo sua então “raiva” de que esse mesmo alguém -no caso, Mallu- possa estar mais feliz, o mesmo critica com críticas pessoais um disco que não merece tanto desgosto por todo o esforço e a musicalidade em si que foi exposta no disco.
    Agora, a parte da influencia que você diz ser maior que o disco, eu retruco que Mallu Magalhães vive e mora com Camelo creio que já faz uns 3 anos, consequentemente como um casal de músicos, deve haver entre eles um compartilhamento de sons, no entanto “Toque Dela” e “Pitanga” tem uma mãozinha um do outro, por fim digo que a musica é um estado de espirito e consequentemente quem esta a volta influencia mesmo ás vezes não tendo essa intenção tão forte. 32 minutos para mim, de giro em verdade.
    Mentalmente em nota daria 2,0 para sua resenha e uns 7.5 pelo trabalho árduo de Mallu.

  • Everton

    Me parace que esta crítica não tem nada relativo as outras tantas críticas ao disco. Percebi que você escreveu algo provavelmente não vai afetar nada na vida da Mallu, ou seja, ele mesma gritou na faixa que abre o albúm “Pode falar que nem ligo”. Ainda se fosse uma crítica construtiva que se basea-se a aspectos qualitativos do cd e da cantora, você se mostrou totalmente inequivoco que não escutou o disco, não com os ouvidos e sim com a alma, deixo bem claro que sou fã da Mallu e pra mim ela é um grande exemplo de que a música brasileira tem e muito a desejar. Reeveja seus conceitos perante ao disco, para depois críticar.

    • Julio Galli

      Everton: Estou contigo e não abro. Parabéns pela crítica. Abraço. Julio Galli.

  • Lucas Milanesi

    Eu acho que o link dessa resenha VAZOU em algum fansite da malluzinha.

  • paulo tothy

    “pode falar que eu não ligo, agora, amigo, eu tô em outra.” acho que a música de abertura do disco já diz tudo. li a crítica toda, mas, não consegui concordar em nenhum ponto. dizer que pitanga é ” 32 minutos de giro em falso” é a prova de que a crítica foi tendenciosa e embasada em argumentos não reais. pitanga é sim um disco sem grandes hits, mas, é um disco maduro, conciso, classudo e muito sincero, digno de reconhecimento! pitanga é uma bandeira que mallu levanta, a favor de si mesma e contra os mentirosos, chatos, mal amados e preconceituosos de plantão que não sabem evoluir e se livrar de rótulos.

  • Vinícius Weber

    Concordo com o autor. Pitanga é mais chato que um bate papo entre Gilberto Dimenstein e Didi Mocó.

  • Anônimo

    Esse disco é muito merda, não tenho o menor saco para o movimento NEO ARCADISTA do Camelo

  • R;

    Isso aí. Tendo a ter pontos que concordam com os teus, mas aí uma pergunta me vem à tona: até que ponto então podemos chamar isso de música independente? Ou: até que ponto não devemos reconceituar o que chamamos de independente? Porque, afinal, me parece que as músicas da Mallu Magalhães, passada sua aprovação enquanto compositora e figura publica na cena musical, são todas extremamente “encomendadas”. Isto é, são encaminhadas para um certo público letárgico que demanda exatamente esse tipo de música letárgica a que você se refere. Não é de se estranhar, nesse sentido, a mão do Camelo que, sendo uma influência (para o bem e para o mal), justamente entra em cena para destituir a independência e fazer com que se cumpra a exigência de um certo público. Ora, mas se é assim, isso nos força então a outra pergunta: até que ponto então não é o público o coautor do atraso a que você se refere? Por outro lado, é claro que um público, por mais “independente” que ele seja, é “formado”. Na verdade, a questão compreende uma bi-implicação: Mallu Magalhães não pode ser independente porque seu público não o é; assim como, de igual maneira, seu público não pode ser independente porque seu artista (e sua música) não o é. Público, artistas e música não podem ser outra coisa que não pura letargia em função do próprio ciclo vicioso (ou virtuoso, do ponto de vista de um mercado) que alimentam. Para que a assim chamada “música independente” seja de fato independente é necessário que um ciclo deste tipo não exista. Caso contrário, a letargia continuará sendo… letárgica.

  • Lipe_abib

    Se esse aqui foi o que escreveu a critica, eu não tenho mais nada a comentar a não ser:
    Hoje a chapa vai esquentar, é churrasco do bom… (isso sim que é letra boa em.) 😉

    http://www.diegofagundes.com.br/

  • Julio Galli

    Pegou pesado com a Malluzinha , Diego. Uma princesa, um Anjo, uma moça tão linda e com um talento imenso merece mais atenção e mais respeito. Acho que você errou a mão em sua crítica desta vez. O que se passa? Tá com ciúmes do Camelo? No meu ponto de vista o cd só tem uma música fraca e todas as demais são ótimas. E a Mallu é uma estrela de primeira grandeza. Faço minhas as palavras do meu amigo Everton. O tempo é o senhor da razão e a moça está crescendo em todos os sentidos.

  • Zig

    ” É como se Mallu Magalhães não estivesse nem feliz nem triste, mas quisesse muito fazer um disco porque está convencida de que nasceu pra isso. ”

    Preciso discordar. Acho que a coisa mais clara que o disco diz, em geral, é que ela está muito mais do que “de boa” consigo e com sua vidinha pessoal “sem problemas”. Acho inclusive que a primeira faixa do CD serve como apresentação de tudo isso. A menina “retardada”, “idiota”, que fez a loucura de se ajuntar com um velho com cara de mendigo está ficando velha, louca e fingindo ser surda (enquanto, na verdade, escuta, mas não está nem aí pra este nosso mundo externo).

    Quanto à falta de grandes temas e controvérsias, sim, fazem parte da arte. Sem isso, não existiria algo tão bom no mundo da música quanto “the wall”. Mas esse romantismo e essa calma despretensiosos não são desprovidos de arte.

    Acho que o importante na arte é causar algum tipo de emoção, seja a emoção do conflito, aquela agoniazinha interna boa que dá quando o tema central é forte e pesado, mas o descanso, a rede, aquele descansozinho consigo mesmo também traz um sentimento tão contagiante quanto qualquer outro. Quer dizer, pelo menos pra quem já teve a paciência de se conhecer e contemplar, é assim.

  • Unr_mendes

    Concordo com tudo…lembro q me apaixonei pela Mallu porque ela fugia de temas como o amor moído em todos os cd de quase toda produção musical brasileira….vi q desde o primeiro cd ela se importava com questões de felicidade individual, amizade, viver sem preocupações, e o amor ue ela proclamava era inocente, e não se chocava com a infelicidade e a melancolia….eu sentia nos primeiros cds uma coisa de felicidade além das paixões carnais…….e agora ela vem com “Pitanga” e me fez perder toas as esperanças de ter uma musa brasileira que me completasse nos meus anseios com temas repetitivos sim……o disco eh indiscutivelmente bom e bem produzido pra quem se encaixa no perfil melancólico,…..mas jah não se destaca nos temas e emoções diversas como nos primeiros, nem deixou aquele gosto e vontade de esperar o que mais vinha pela frente….Kd as pinturas faciais? kd os desenhos? Kd as viagens na ingenuidade e no amor sem compromisso….kd os temas do cotidiano? É uma pena q ela já tá em outra….. Obrigado pelo texto….achei q só eu percebia isso!

    • Yuri de Castro

      Acho interessante a sua necessidade de enxergar arte como boa somente se ela representa os SEUS anseios.

  • Nada soa absolutamente cosntrutivo, um monte de argumentos ocos para dizer que não gosta dela, que não gosta de disco se não for de coração partido ou para as pistas. Ok, não gosta, mas aprenda a desenvolver melhor seus comentários. (Desisto de tentar entender esse site)