Mark Lanegan Band | Blues Funeral

Mark Lanegan Band

Blues Funeral

[4AD; 2012]

4.0

ENCONTRE: 4AD Store

por Túlio Brasil; 27/02/2012

Mark Lanegan era do Screaming Trees, é parceiro do Queens of Stone Age e gravou três discos com uma moça do Belle and Sebastian, Isobel Campbell. Por mais que seja uma trajetória (muito) respeitável, sabe-se bem que ele deixa a desejar. Seus débitos se voltam mais uma vez em seu segundo álbum sobre a Mark Lanegan Band, “Blues Funeral”. Mesmo com tentativas de diversificar, a rouquidão da voz continua como maior artifício e é também a única forma de ataque. Faltou um estímulo a mais para convencer.

As músicas são meras acompanhantes da voz grave de Lanegan, variações, como a entrada de um sintetizados ou peripécia eletrônica, não servem destoantes para quebrar o ambiente esfumaçado e monótono do disco. As doze faixas que compõem o álbum parecem refletir um mesmo tema definido por três “S”: soturno, sedado e, por combinação repetida em excesso, sacal.

O grave aumentado do contrabaixo nos primeiros segundos de “The Gravedigger’s Song” é nitidamente distinto do fraseado melancólico da guitarra em “Harborview Hospital”. Mas o clima pesado, a densidade da música, é igual e se repete em outros momentos do álbum, gerando um pedantismo desnecessário.

“Blues Funeral” fica ainda mais agoniante com a insistência em músicas longas. Os acertos em “Bleeding Muddy Water” passam pela leseira que deixa a voz de Lanegan soar, bateria forte apenas marcando o tempo e o refrão declamando “Oh baby don’t it feel so bad” sem pressa. Cortada em três minutos e meio, tudo estaria bem. Em sua versão integral de seis, a estrutura vicia e fica chata. Além de “Muddy Water…”, músicas como “Ode to Sad Disco” e “Tiny Grain of Truth” são exauridas pela densidade.

O sucesso de suas parcerias vem pelo adicional que ele dá as canções. Aliada ao stoner rock do QOTSA, voz de Lanegan a completa de maneira direta o peso do gênero. Esse “a mais” some no álbum solo de Lanegan, em que nem o produtor Alain Johannes, que trabalhou com Queens e Them Crooked Vultures, conseguiu achar um jeito de encontrar esse encaixe.

É da essência do blues, principal influencia do álbum, climas carregados e menos festivos. Mark Lanegan não precisa de alegria, sombrio ele cria imagens bem ao seu tipo. Falta sim um vigor maior para a construção dessas cenas. “Blues Funeral” é uma visão desfocada com detalhes ausentes. Ele já sabe o que quer cantar, falta encontrar um modo pleno para isso.

  • babu

    se num saca nada de musica man