Nicki Minaj | Pink Friday: Roman Reloaded

Nicki Minaj

Pink Friday: Roman Reloaded

[Cash Money/Universal; 2012]

4.7

ENCONTRE: iTunes

por Livio Vilela; 04/04/2012

Como qualquer rapper de respeito, Nicki Minaj não é do tipo de que se esconde, nem esconde suas verdadeiras intenções, e, nesse sentido, seu segundo álbum, “Pink Friday: Roman Reloaded” é quase gráfico. É só olhar para capa, para o tracklist (19 músicas) e para a duração de mais de uma hora para perceber que estamos de frente a um mastodonte cor de rosa, exagerado e ambíguo. Irmão de pai e de mãe do primeiro álbum, “Roman Reloaded” está para “Pink Friday” como o segundo filme da trilogia está para o primeiro “Matrix”: a fórmula e sensação “o que está acontecendo aqui?” são as mesmas, mas fica bem claro que o orçamento dessa vez é bem maior.

Se um dia Nicki Minaj foi apenas uma rapper incrivelmente promissora, “Pink Friday” mostrava que a jovem de peruca rosa queria ser bem mais que isso. Ela queria ser Lady Gaga, Missy Elliott e Rihanna ao mesmo tempo e o custo disso tudo foi um álbum caótico cuja melhor música – o übber-hit “Super Bass” – vinha escondida nos extras da versão mais cara do iTunes. Se artisticamente a faixa acabou remindo e estendendo a credibilidade de Nicki por algum tempo, comercialmente deu à rapper todo o momento que precisava para fazer seu grande opus, esse “Roman Reloaded”.

Logo após uma primeira audição, fica claro que o álbum é na verdade dois, explicando melhor o título. O tal “Roman” é o alter-ego Roman Zolanski, a quem Nicki reserva a primeira parte do disco sem, no entanto, se preocupar em estabelecer uma narrativa. Nesse momento, de “Roman Holiday” a “Roman Reloaded”, “Pink Friday: Roman Reloaded” parece ser apenas um bom e raivoso álbum de rapper, lembrando exatamente porque acreditamos que Nicki Minaj era um nome que valia ser reconhecido.

A sequência é menos exitosa, no entanto. Mirando diretamente no público de Rihanna e Lady Gaga, a segunda parte do álbum mostra Nicki tentando desesperadamente achar uma música que à leve ao topo das paradas (“Super Bass” chegou apenas ao 3º). O que, no caso, significa se render de maneira quase caricata às batidas de RedOne (Lady Gaga, Jennifer Lopez) e Dr. Luke (Ke$ha, Britney, Katy Perry). O resultado varia entre o medíocre (“Young Forever”, “Marilyn Monroe”), o padrão (“Automatic”, “Whip It”) e o grosseiramente divertido (“Starships”, “Pound The Alarm”).

Essa divisão talvez seja o grande problema de “Roman Reloaded”. Embora Nicki deixe claras suas intenções, ela nunca termina de construir sua obra, apressada demais em trocar de peruca e figurino. Dessa forma, “Pink Friday: Roman Reloaded” soa como um grande elefante branco (cor de rosa, no caso) no meio do jogo pop: qualquer um vai ficar impressionado com seu tamanho, mas serão bem poucos os que vão achar alguma qualidade real no álbum.

  • Resenha coerente, apesar de otimista até. O que foi dito “grosseiramente divertido”, eu chamo de “massa pop produzido por hitmakers para apelar até o último segundo”. 2 já estava ótimo.