Regina Spektor | What We Saw From The Cheap Seats

Regina Spektor

What We Saw From The Cheap Seats

[Sire Records; 2012]

4.5

ENCONTRE: iTunes

por César Márcio; 01/06/2012

Era de conhecimento público que Regina Spektor regredia. E o assunto aqui (ainda) não é talento, criatividade ou relevância, coisas que pareciam cada vez menos importantes e/ou simplesmente não apareciam nos seus discos. Vamos falar de idade, mesmo: não era uma mulher adulta fazendo música para mulheres adultas de “11:11” a “Soviet Kitsch”? E, logo depois, não era uma mulher de 20 anos, no máximo, cantando baladas comportadas para mulheres de 20 anos comportadas em “Begin to Hope”? Para terminar na adolescente semi-retardada fazendo música para adolescentes semi-retardadas de “Far”, seu último e risível álbum? Bom, está bem claro que a carreira de Spektor andava para trás. E era com muita esperança que aguardávamos esse novo trabalho porque, seguindo a lógica, o próximo passo seria um disco para bebês do sexo feminino cantado por uma Regina Spektor recém-nascida (e o próximo seria para fetos do sexo femino!). Infelizmente, a lógica não se confirma em “What We Saw From The Cheap Seats”, álbum que mostra a cantora e compositora naquela mesma encruzilhada de “Begin To Hope”, seu primeiro grande sucesso: na metade do tempo o ouvinte diz “olha como ela é bonita, esperta, engraçada e tals”, na outra “porra, cala a boca, chata pra caralho”.

Repare que há uma extrema condescendência na utilização da palavra “metade”. Vamos pontuar os momentos em que Regina ao menos diverte o ouvinte: 1) a primera faixa, “Small Town Moon” parece um número de “Glee”, com estupidez e juventude escancarada; 2) Ela é ótima com imitação de instrumentos musicais, indo desde o tarol em “Oh Marcello” (faixa que conta ainda com um interlúdio cantado com sotaque italiano, SENTE O DRAMA) a um trompete em “The Party”; 3) há ainda uma regravação de uma música de… Regina Spektor (veja que divertido).

Não, não chega nem perto da metade. Uma mulher de peito (err) como Regina Spektor desperdiça habilidades atrás de baladas comportadas que levam a compositora a disputar espaço com personagens do cenário musical que serviam de referência oposta. Desse maneira se, por acaso, colocassem no meio dessa tracklist uma baladinha-piano-ano-2000 como “A Thousand Miles”, muita gente nem ia ao menos perceber a diferença entre uma cantora e outra. Há uma ou outra tentativa de estabelecer um padrão viável nesse gênero (o inicio promissor de “All The Rowboats”, a conexão com o inicio de carreira em “Ballad of a Politician”) mas sempre finalizados com truques fáceis e superutilizados, confirmando que a promessa de inteligência no mecânico pop-feminino já não convence mais ninguém.

Com “What We Saw From The Cheap Seats”, a pianista estabelece uma posição, nem que seja apenas de mercado. Talvez porque estabelecer uma posição a impeça de regredir, embora não seja essa a posição que gostaríamos que Regina Spektor ocupasse, agora. Já que andar para frente não parece ser uma opção, regrida mais um pouco e pelo menos nos dê o disco para fetos!

  • Infantilidade do disco anterior? 4,5 para este? Não sou nenhum fã maravilhado dela, mas haja impacialidade nessa resenha de