Taylor Swift | Red

Taylor Swift

Red

[Universal/Big Machine; 2012]

8.0

ENCONTRE: iTunes

por Livio Vilela; 01/11/2012

1 milhão e 200 mil pessoas não podem estar erradas. O número gigantesco da primeira semana de vendas de “Red”, novo álbum de Taylor Swift, deixa claro um fato que já vem pipocando desde o lançamento de “Fearless” (2009): a loirinha esguia é uma das popstars que mais entende e sabe nutrir seus fãs. Ainda que tenha 22, Taylor vive e ama na intesidade de garota adolescente. Ela é como uma Carly Simon, uma Alanis para geração de teens viciados em compartilhar coisas e seu novo quarto disco deixa isso ainda mais explícito. “Red” é paixão em ritmo de ADD, amor na intensidade de um desabafo de Facebook: gigante, imenso e eterno até a DM do próximo gatinho.

E isso é uma coisa boa. Porque Taylor basicamente inventou esse pop sugar-rush para nova geração, mesmo que antes – e em alguns momentos de “Red” – ele estivesse vestido por uma camada de banjos e produção soft country. Sim, eu sei, eu sei que a Taylor é do country, mas como bem provam as melhores canções e primeiro singles dos seus últimos 3 álbuns (“You Belong With Me”, “Mine” e “We Are Never Ever Getting Back Together”), ela é mais Carole King do que Bonnie Raitt, mais Alanis do que Shania.

O que é mais interessante sobre Taylor – e isso mostra que ela é bem mais segura de si do que seus pares – é que ao contrário de Biebers, Selenas e Katys, é que mesmo nos momentos de diálogo – “We Are Never…” e o break dubstep do refrão de “I Know You Were Trouble” – “Red” não almeja o crossover como um fim. Ele é o hit, como comprovam as mais de 1,2 milhões de cópias vendidas em 1 semana. Taylor está pouco ligando quem está fora da sua mira: ele é simplesmente é maior do que a necessidade de parecer cool.

Se há uma guerra cultural entre o mainstream e o indie, Taylor se sente no lado vencedor, ainda que sejam poucos os momentos em que ela canta vitória (o tom irônico de “Find your peace of mind in a indie record that’s MUCH cooler than mine” de “We Are Never…” e o “Dress up like hipsters” em “22”, principalmente). Sem precisar assinar nenhum recibo, Taylor fica livre para crescer como compositora seguindo seus próprios instintos, o que é uma das boas surpresas de “Red”.

Se em “Speak Now” isso já era bem claro, nesse disco Taylor parece brilhar sem muito esforço, das guitarras épicas de “State Of Grace” (ecos de U2 dos anos 80) ou “The Last Time” (com participação de Gary Lightbold do Snow Patrol, que, de fato, soa como Snow Patrol) às baladas country redondinhas como “Begin Again” (sobre o ex-novo-amor Conor Kennedy) e “All Too Well”. Tirando bobagens como “Stay Stay Stay”, a letra de “22” ou a obviedade de “I Knew Your Were Trouble”, tudo aqui é acima da média do pop rock americano.

O grande problema de “Red” é que com 16 músicas e mais de uma hora de duração, é um álbum cansativo, especialmente porque há poucos temas aqui além do fim do relacionamento de Taylor com Jake Gyllenhaal. É uma obsessão tão estranha que lá pelo meio da letra ressentida de “All Too Well”, dá até pena. Em vários momentos, “Red” nos faz desejar ver Taylor Swift escrevendo um álbum durante uma fase feliz de um de seus relacionamentos ou pelo menos sem nenhuma ferida tão exposta.

Os dilemas da maturidade costumam enterrar o popstars vez ou outra (beeeijo, Avril Lavigne), mas, por enquanto, Taylor Swift não tem muito com o que se preocupar. “Red” é seu melhor álbum até agora e as vendas até são só os melhores números da indústria em mais de 10 anos. Só Jake Gyllenhaal que não deve estar muito feliz.

  • zeh.

    disco do ano (serio)