50 Melhores Faixas Internacionais de 2012


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20.20-jack-white-love-interruptionJack White
Love Interruption

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A melhor música de Jack White em 2012 não traz riff grandioso nem reinventa gêneros. O que Jack White recicla em “Love Interruption” é a noção de amor. Como já fez com o blues e o rock, o que White faz com a temática do amor não é, obviamente, dar-lhe novo sentido, mas um sopro de energia (e é aí que talvez resida a inteligência e o talento desse músico). Com uma letra delicada e que se contradiz nas suas vontades, Jack White cria uma imagem do que é o amor sem soar afetado ou falso. E só isso já é feito muito maior do que um grande riff. (Matheus Vinhal)

19.19-kendrick-lamar-backseatKendrick Lamar
Backseat Freestyle

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O californiano Kendrick Lamar conseguiu uma certa unanimidade em 2012. Tanto o seu segundo álbum “good kid, m.A.A.d city” quanto a faixa “Backseat Freestyle” estarão nas listas de melhores no fim de ano. Produzida por Hit-boy (“Nigga In Paris”), “Backseat Freestyle” é o que estará nas redes de televisão e rádio voltada para os pré-adolescentes em 2015. Neste futuro próximo, até a música da Miley Cyrus será como “Backseat Freestyle”. O Odd Future ditou o ritmo em 2010, Kendrick lançaria seu primeiro álbum um ano após e, agora, reafirma tudo o que será. É o melhor mainstream americano – ainda pouco descoberto pelo mundo (e em freestyle). (Yuri de Castro)

18.17-macdemarco-ode-to-viceroyMac DeMarco
Ode To Viceroy

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“Ode to Viceroy”, sendo uma ode a (uma marca de) cigarro, é sobretudo uma ode aos pequenos prazeres, que nos fazem sobreviver à fastidiosa rotina do dia-a-dia. A partir dessa associação, Mac DeMarco faz uma música que também é justamente um pequeno prazer, uma representação da associação, na qual tenta recriar suas sensações ao longo do dia, quando precisa de um Viceroy para desopilar e relaxar. Em resumo, o cara fez o slacker rock por definição. (Matheus Vinhal)

17.16-solange-losing-youSolange
Losing You
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Sob a supervisão de um produtor de mão pesada e antiquada como Dev Hynes (Lightspeed Champion, Blood Orange), é surpreendente que “Losing You” tenha dado tão certo. Há, é claro, a visão da artista, que não deixa as preferências da produção trendy de Hynes inundarem a faixa com pura e indolente “retromania” (como faz em “Everything Is Embarssing” e com seu Blood Orange, por exemplo). A forte presença de Solange, que notadamente sabe o que está fazendo, conduz a faixa para longe do simples repetição de termos do synth-pop dos anos 80. Para lidar com a forte personalidade da cantora, Hynes preocupou-se menos com a embalagem hipster-approved e deixou a faixa com um apenas sugestivo sintetizador. O beat quase hip-hop, com intervenção mínima de reverb, completa um bom panorama que aponta um saudável futuro para o R&B de pista atual. (César Márcio)

16.16-japandroids-the-house-that-heavenJapandroids
The House That Heaven Built

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Ah, o Canadá. Ah, a euforia indie. Esses dois fatores permitem que o Japandroids consigam ostentar alguma certeza de que seus álbuns valem a pena. E, sim, valem, caso você ouça os versos “And if they try to slow you down / Tell them all to go to hell” sem achá-los, de alguma forma, proto-punk-ingênuos. Assim sendo, a dupla de Vancouver ganhou um trunfo para animar as platéias dos pequenos clubes canadenses e também os locais maiores em que agora estão tocando. “The House That Heaven Built” é uma armadilha pra pegar indie controverso. Se você não se importa muito com isso, apenas divirta-se. (Yuri de Castro)

15.12inch_recordjacketDirty Projectors
About To Die

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Se o Dirty Projectors precisasse de um cartão de visitas, “About To Die” seria uma escolha sensata. Temos aqui o que poderia ser chamada de “fórmula Dave Longstreth”, respeitosamente atentando ao fato de que o compositor está longe de ser formulaico: as agudas vozes femininas, a característica voz tremulante de Longstreth, as batidas pouco convencionais e a habilidade incrível de amarrar isso tudo em ganchos poderosos, uma qualidade que pareceu nortear “Swing Lo Magellan”. Até a letra, de tom niilista, acompanha a fórmula ao resumir o medo da morte do narrador num refrão que começa na frase doce “Where would I ever be without you?”. “About To Die” é o Dirty Projectors, resumido em exatos quatro minutos. (Matheus Vinhal)

14.14-beach-house-lazuliBeach House
Lazuli

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Lápis lazuli, a rocha adorada pelos faraós que dá nome a canção, não é exatamente preciosa, mas é usada decorativamente desde que o mundo é mundo. De certa forma, essa ideia de algo comum que pode ser transformado em beleza funciona como metáfora para do trabalho do Beach House, que se apropria de estruturas simples (não há muito mais além de voz, batida, guitarro e teclado) para criar algo belo. De “Beach House” a “Bloom”, Alex e Victoria foram polindo esses mesmos elementos até chegar em algo perfeito como “Lazuli”. Aqui, o velho material opaco de singles como “Apple Orchard” surge cravejado de brilhos (azuis, para combinar) intensos que não chegam a cegar, mas deslumbram. O som do teclado parece fixar os outros sons quase que artesanalmente, enquanto a guitarra de Scally e a voz de LeGrand decoram todo espaço em volta. (Livio Vilela)

13.13-here-we-go-magic-make-up-your-mindHere We Go Magic
Make Up Your Mind

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As duas melhores canções de Luke Temple (o dono do Here We Go Magic) até aqui operavam em de maneiras completamente opostas. Enquanto “Tunnelvision” se construía sobre nossos olhos, “Collector” era uma canção plenamente formada que ia rachando a cada batida do motorik empregado por Peter Hale. “Make You Your Mind”, no entanto, foge dessa ideia de construção e desconstrução para focar no produto final, ao invés do processo. A decisão se mostra acertada, já que a música é uma das melhores da carreira da banda: 4 minutos de um groove kraut, sintetizadores afiados e o canto ao mesmo tempo indiferente e misterioso de Temple. (Livio Vilela)

12.12-cat-power-ruinCat Power
Ruin

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A ponte de “Ruin” a torna irresistível. Antes de entrar no refrão, Cat Power consegue em nesta faixa quase tudo o que conseguiu no álbum “Sun”: expandir sua obra para além dos naturais fãs que ganhou e ganharia. E, de alguma forma, o refrão é um exercício de diagnóstico de uma artista. Quase todas as músicas de “Sun” funcionam nesse esquema e quase respondem ou ampliam inquietações banais de quem fez o álbum e de quem o escuta. (Yuri de Castro)

11.11_liars_noagainstLiars
No. 1 Against The Rush

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Há diversas similaridades entre a virada eletrônica do Radiohead e a do Liars. Uma delas é a inspiração nos métodos do krautrock, representada com grande fidelidade pelo primeiro single de “WIXIW”, “N° 1 Against The Rush”. Os sintetizadores em escala que super influenciaram a música nos anos 80 e que eram característicos de bandas como Tangerine Dream são base desta que é uma das canções mais acessíveis do Liars. O discreto beat 2/4 fica em segundo plano diante de um vocal bastante melódico, cuja letra traz uma humanização (“I want you, I want you out”) dificilmente encontrada na discografia do Liars. Se esta é uma banda que acostumou o ouvinte com sua densidade, a afabilidade da voz e letra nesta faixa surpreende pela sutileza. (César Márcio)

 

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