50 Melhores Faixas Internacionais de 2012


[50-21] [20-11] [10-01]

10.carly-rae-jepsen-call-me-maybeCarly Rae Jepsen
Call Me Maybe

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“Call Me Maybe” é idiotamente simples e irresistívelmente pop. Ou como o próprio Justin Bieber, um dos responsáveis pelo seu sucesso, disse no tweet que mudou tudo: “Possivelmente a canção mais grudenta que eu já ouvi”. LOL. Num cenário em que todo mundo parece desesperado por autenticidade (perucas multicoloridas, superprodutores, pessoas falando sobre como inventaram “um gênero totalmente novo”), Carly funciona como um bálsamo. É um alívio que uma música sem muitas pretensões possa ser maior que os engodos titânicos que tem sido os grandes singles pop de 2012 (“Starships”, “Boyfriend”, “Part Of Me”, etc). Não dá para imaginar que ela vai querer bancar Davi pelo resto de sua carreira, mas dessa vez bastou um número de telefone anotado num papel para bater Golias. (Livio Vilela)

09.09-hot-chip-flutesHot Chip
Flutes

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Diferente de quase tudo que o Hot Chip já fez e faz em “In Our Heads”, “Flutes” é daquelas faixas em que alguma mágica acontece entre seu início e fim. Há uma gradação clara de instrumentos, samples e voz, mas tudo em “Flutes” é construído e interposto de maneira tão metódica e cautelosa, quase matemática, que a faixa flui como se tudo fosse espontâneo, quando nada é. É possível que seja o maior feito do Hot Chip. (Matheus Vinhal)

08.08-passion-pit-constant-conversationsPassion Pit
Constant Conversations

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Ponto alto de “Gossamer”, “Constant Conversations” é o momento em que o Passion Pit sabe equilibrar melhor a pretensão. Do jeito espalhafatoso da banda, a classe toma o lugar dos exageros. Batidas centradas conduzem a voz de Michael, que canta como se contasse uma história. As pausas dele harmonizam com um sample estourado no pitch (“that you never leave… never”), criando um refrão onipresente na música. Amarras feitas, ele ainda joga pra galera um “oh oh oh.” Sem fazer os sinestésicos sentirem toda a palheta de cores, o Passion Pit equilibra a canção muito bem. (Túlio Brasil)

07.07-MIA-Bad-GirlsM.I.A.
Bad Girls

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O que M.I.A faz em “Bad Girls” é transcender mais uma vez a ideia de música de protesto e de diversão, fundindo e confundindo-as. Com uma letra polissêmica que embaralha o ato sexual, o racha de carros e o protesto, M.I.A faz a partir de um sample a ligação entre esses temas e a situação feminina nos países árabes. O mérito e a sabedoria de M.I.A é que todas essas camadas sonoras e semânticas não necessitam umas das outras para que a música seja excelente como é. “Bad Girls” é, como já foi uma vez “Paper Planes”, o melhor exemplo de como fazer música pop boa e com conteúdo em 2012. (Matheus Vinhal)

06.06-grimes-oblivionGrimes
Oblivion

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Estranha e fotogênica, Grimes é um destempero para o pop, e “Oblivion” é seu hino. Construida sobre um deslocamento de batida e voz, as coisas não parecem se encaixar bem na faixa. Mas é nesse desencontro que surge a faísca que explode o hit. A curiosa demanda reprimida pelo bizarro em forma simpática é o motor da visibilidade de Grimes. A faixa praticamente implora para você dançar como um nerd, descoordenado e de olhos fechados. Embalar isso nas tendências do synthpop, eletrônica, um toque acolá da moda, fez a cantora virar um ícone. “Oblivion” é o melhor produto de prateleira feito pela música pop em 2012. Irônica, ela ainda brinca como um suposto “esquecimento” no nome da música. Se for descartável, veremos ano que vem. Por ora, é certeira na playlist. (Túlio Brasil)

05.05-scott-walker-epizooticsScott Walker
Epizootics!

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Esta faixa, esta doentia e asfixiante faixa, é o que há de mais acessível no novo atestado de severos distúrbios mentais de Scott Walker. Entre flatulências e carinhosos convites para degustação de seus testículos (!), Walker consegue reservar parte de “Bish Bosch” para a parcela de seus ouvintes que ainda não está completamente insana. Note para o uso da expressão “ainda não”, porque “Epizootics!” é o portal do inferno. Podemos chamá-la de acessível porque é um dos poucos momentos em que a voz acerta um mínimo alinhamento com o que está sendo tocado. Em determinado ponto da faixa, a bateria puxa uma marcha enquanto o artista diz, com grande propriedade “It’s dense. Tense”. E isto será o máximo de sensatez que o mundo conseguirá de Walker, neste momento. (César Márcio)

04.04-dirty-projectors-gun-has-no-triggerDirty Projectors
Gun Has No Trigger

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Na canção mais aberta a interpretações de “Swing Lo Magellan”, o Dirty Projectors exerce a proposta estética do disco – a de fazer canções, no sentido estrito – ao limite e suprime da sua música tudo o que poderia torná-la supérflua, que poderia retirar a atenção da melodia metricamente perfeita composta por David Lonsgtreth. A nudez quase absoluta da faixa, o canto quase a cappella de Longstreth criam, a partir do que não há, do que é ausente, um dos momentos musicais mais épicos e originais de 2012. (Matheus Vinhal)

03.03_frank-ocean-pyramidsFrank Ocean
Pyramids

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“Pyramids” é a grande canção épica de “Channel Orange”. Uma grande desconstrução da vida de cafetão (pimp) dos colegas de Frank Ocean, que conta na faixa de quase dez minutos, como fez o padrinho Kanye em “Runaway”, o típico romance gangsta. A história do homem rodeado de garotas de programa e soberano sobre elas na sua riqueza. Ocean dramatiza essa estrutura confundindo os papéis, questiona como o afeto fácil (e pago) virou fundamental para o grupo de que faz parte, tornando-os essencialmente superficiais. As putas, antes musas de ostentação, agora são o centro da atenção. Em “Pyramids”, Ocean se redime de um débito que contraiu sem culpa. Uma das várias metáforas sentimentais do álbum. (Túlio Brasil)

02.02_everysinglenight_coverFiona Apple
Every Single Night

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Num álbum marcado por encapsular estados de espírito tão comuns quanto aterrorizantes, “Every Single Night” se destaca por resumir tais estados (insônia, insegurança, fear of missing out etc.) e outras (todas?) crises contemporâneas em uma simples frase: “Eu só quero sentir tudo”. Sobre a instrumentação minimalista que acompanha “The Idler Wheel…”, Fiona briga com seu cérebro, dança valsa com sua voz e discute com com seu corpo numa confusão de sensações e sentimentos que parte da simples e cruel autodepreciação para algo belo e intensamente edificante. (Livio Vilela)

01.grizzlybearGrizzly Bear
Sleeping Ute

[Ouça]

Ainda que “Shields” seja um álbum feito a 4 mãos, não há como ignorar o fato que ele também é o primeiro momento em que Daniel Rossen se apresenta como a peça mais importante do Grizzly Bear. O fato é que pela primeira vez são as canções de Rossen que ditam os rumos de um álbum da banda, ainda que elas sejam apenas 3. Melhor exemplo disso é “Sleeping Ute”, faixa de abertura e apresentação de “Shields”. Aqui (e na igualmente poderosa “Sun In Your Eyes”), Daniel define esteticamente e musicalmente o disco, ao mesmo tempo em que faz a canção que consegue resumir todos seus impulsos artísticos. Estão aqui os dilemas entre a busca intimidade e a necessidade da solitude, o apreço pelo folk, mudanças de tempo, a voz gentil e melancólica e, principalmente, a guitarra indomável. Como várias de suas canções, “Sleeping Ute” é uma tempestade de proporções particulares: começa calma, explode e volta à calmaria, mas dessa vez sem a sensação de resolução. Mesmo na bonança, Daniel parece inquieto, arredio como sons de sua guitarra, que colidem e estralhaçam os outros elementos na música. “Eu já não consigo evitar”, canta num tom que mistura afirmação veemente, grito socorro e pedido de desculpas. A insatisfação nunca soou tão bonita. (Livio Vilela)

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