A estreia homônima da Banda do Mar é uma prolongação ruim da carreira de Marcelo Camelo. São parcos os momentos em que Fred Ferreira e Mallu Magalhães conseguem atravessar a fadigada criatividade de timbres e composição do principal membro do trio. O álbum abre com “Cidade Nova”, mais uma canção em que Camelo demonstra insatisfação com o redor. É aquela história: a cidade não presta, mas há algo legal nela. Adivinhe só se não há nessa canção menção à dança, ao mar, ao destino. Há. Além do mais, é uma apropriação (assim digamos) de “A Noite“, faixa que também abre “Toque Dela”.

Mesmo assim, “Cidade Nova” faz parte da tríade que ilude o ouvinte em busca do compositor que encantou uma geração. O ouvinte um pouco mais exigente se decepciona com todas as outras canções que não sejam “Hey Nana” e, principalmente, “Mais Ninguém” (de clipe adorável), talvez uma das grandes peças pop do repertório do casal Marcelo e Mallu. Desta faixa adiante, o resultado não consegue ser decepcionante — é algo próximo do enjoado, do enfadonho e de canções como “Meu Amor É Teu” (que encerra “Toque Dela”). O refrão (bom) de “Solar” é uma das exceções — mas é aquela música boazinha, inofensiva, restrita aos que têm boa vontade no coração.

Camelo repete-se. O exercício vem se mostrando poucas vezes produtivo. Em “Toque Dela”, seu segundo álbum, poucas canções conseguiram atingir qualidade simultânea entre música e letra. As que conseguiram (casos de “Tudo O Que Você Quiser” e “Vermelho”) são, não à toa, grandes músicas das lançadas até agora pelo artista. Em sua estreia ao lado de Mallu e Fred, a saga do ex-hermano em busca da música mais Marcelo Camelo possível continua viva.

Marcelo Camelo comete os mesmos erros de “Vazio Tropical”, último disco do alagoano Wado. Invadido pelos timbres do carioca, o lançamento de Wado tornou-se filho de muitos e pouco dono de seu próprio nariz. “Banda do Mar” é um lançamento custeado pela responsabilidade que o compositor passou a ter sobre uma geração mercadologicamente perdida. Ao não perceber que é único protótipo de ídolo presente no mainstream, Camelo compõe e participa de canções extremamente medianas ou ruins (“Muito Chocolate”, por exemplo).

A inclusão do português Fred Ferreira é pouco produtivo à estreia da banda. À bateria, o amigo parece um simpático convidado. À sua frente, o casal Camelo e Mallu parece estrelar um tumblr adolescente e sem graça, daqueles dedicados a compartilhar gostos que parecem particulares mas que estão em um universo do senso comum. Infelizmente, as letras de Marcelo Camelo chegaram neste patamar. É um movimento triste para um artista que, há pouco tempo, adotava postura arrogante em relação à imprensa e até aos próprios fãs enquanto ouvia o seu nome ecoar como salvação de alguma coisa, rejuvenescimento de outra. Agora, que parece que ninguém se importa, o artista tenta chamar atenção jogando o que tem às mãos no chão. Infelizmente, o que Marcelo Camelo atira ao solo como um bebê sonolento em briga com o destino inevitável (dormir) é o próprio talento que, não sei se você se lembra, nos emocionava muito.

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