Dinosaur Jr. | I Bet On Sky

Dinosaur Jr.

I Bet On Sky

[Jagjaguwar; 2012]

5.0

ENCONTRE: iTunes

por César Márcio; 27/08/2012

Existe um trecho no release preparado pelo selo americano do Dinosaur Jr., Jagjaguwar, que é bastante representativo sobre o novo disco da banda, “I Bet On Sky”. E é representativo de uma perspectiva otimista e pessimista ao mesmo tempo, dependendo da maneira como o ouvinte compreende o ponto onde o trio se encontra. O trecho diz que “não há nada como um álbum do Dinosaur Jr., os melhores são reconhecíveis logo nas primeiras notas” como se quisesse atestar a boa forma dos três após 27 anos de carreira – os últimos sete juntos, de fato, após acerto de contas para a turnê que antecedeu o surpreendente lançamento de “Beyond”. Preciso, mas não exatamente da maneira que o autor pretendia. “I Bet On Sky” é um disco reconhecível nas suas primeiras notas porque J. Mascis, Lou Barlow e Murph fizeram questão que assim fosse. Para o sucesso do plano, uma ideia infalível: eles não criariam nenhuma nova composição.

Bem, isso não é verdade. “I Bet On Sky” é um disco de faixas inéditas. Mas não é. Você já ouviu isso antes. E não é necessário ir até 1991, tempo em que J. Mascis forjou esse rock muscular, não tão desordeiro quanto era nos anos 80, após “demitir” o baixista Lou Barlow. O novo álbum claramente nasceu em 91, mas parece automático mesmo comparado a “Beyond”, lançado há cinco anos. Um sintoma já enxergado em “Farm”, mas que agora está nítido demais.

É tão fácil para o ouvinte quanto é para a banda. Existem tantas faixas típicas, tantos truques superutilizados e tantos maneirismos que é possível prever cada movimento. Se você já ouviu algum disco do Dinosaur Jr. (e os solos de Mascis com o Fog), vai saber exatamente a hora que o refrão vai entrar, exatamente como ele será, exatamente quando o solo vai começar e quando ele vai terminar, dando lugar a voz preguiçosa de Mascis (Kurt Cobain morreu lhe devendo uns trocados) antes mesmo de o último acorde terminar de reverberar. É uma zona de conforto que vai encontrar adeptos e que, provavelmente, sedimentará essa nova base de ouvintes que merecidamente renovou o status de realeza no rock americano perdido após uma década fora do radar.

De uma certa maneira, “I Bet On Sky”, previsível como é, não diz só sobre o momento de uma banda específica. É um retrato de uma banda de rock, qualquer uma, em 2012. Grandes músicos, como J. Mascis e Lou Barlow podem fazer o desafio de ouvir um disco de rock menos tedioso mas dificilmente encontramos alguma coisa menos previsível no gênero. É como se mais do mesmo fosse o melhor que eles podem fazer.

Sendo assim, para ser ainda mais preciso, o autor do release poderia ter incluído mais algumas palavrinhas na sua afirmativa. “Não há nada como um disco do Dinosaur Jr. Os melhores são reconhecíveis logo nas primeiras notas. Os piores, se existirem, também são. E os médios também. Cara, todos os álbuns do Dinosaur Jr. são reconhecíveis nas primeiras notas!”. Pronto, assim está perfeito.

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  • Guilherme

    critica muito exagerada. é o tipo de critica de quem nao aguenta ver pessoas adorando uma banda, compreensivel tambem
    sexo tambem é tudo igual, mas nem por isso voce para de fazer. se for para ser mais do mesmo eu prefiro que seja do dinosaur jr. quem dera outros artistas fossem assim. entao para que ouvir ac/dc, ramones etc.
    e não é tão previsivel assim. alguma coisa foi acrescentada, o que já é mais do que se ouve por ai.
    abraço