Luisa Mandou Um Beijo | Luisa Mandou Um Beijo

Luisa Mandou Um Beijo

Luisa Mandou Um Beijo

[Multifoco / midsummer madness; 2012]

0.5

ENCONTRE: Site Oficial

por Yuri de Castro; 13/04/2012

Fosse protestante em um piquete, a banda Luisa Mandou Um Beijo certamente trajaria um nariz de palhaço. “Uma canção que pinta o céu lilás”, canta Flávia Muniz, em uma espécie de tatibitate indie sem muitos esforços criativos. Logo depois rompe a doceria aquele trompete de tom lúdico que a banda ostenta desde a época em que ele não parecia tão chato como é hoje. Doravante, Luisa Mandou Um Beijo é um erro 403* fotografado com um app similar ao Instagram.

Antes, fosse uma banda e não um passatempo, seria apenas um retrato de tons pastéis no fundo do armário, jogado na gaveta com as contas de luz e água – pagas em dia ou com, no mínimo, dois, três meses de atraso. Mas as músicas da Luisa Mandou Um Beijo estão para o interesse tal como está o recheio de morango do biscoito para a natureza: por este não fora feito, com este não terás relação. Aliás, o mais pertinente é que a banda fosse aquele compartilhamento enjoativo dos usuários do Facebook, o “expectativa/realidade”, no qual o autor da montagem explicita como temos desejo de parecer uma coisa muito boa executando uma ação e, quando vamos ver, acabamos, na realidade, passando bem longe do que pretendíamos. No primeiro quadro: rock carioca pré-1996 + Belle & Sebastian + indie br pós 2005. No segundo, apenas o retrato cansado dos integrantes da Luisa.

A banda chega em seu terceiro CD, financiado por quem se entusiamou com as possibilidades de colaborar com este passo na discografia do grupo. O lado triste é que, bem possivelmente, os fãs devem mesmo adorar o amontoado de clichês sem nenhuma (nenhuminha mesmo) armadilha. Não há ali nem um alpiste em linha falsamente desleixada em direção à caixa de apanhar passarinho-crítico-ouvinte. “Homem-caravela” é a faixa menos boba do disco apenas porque traduz os últimos dois CDs da banda. É o costume do exercício. E, veja, ainda é muito ruim. “Avenida Brasil”, não fosse o estribilho de apoio terrivelmente amparado pela tosca guitarra com overdrive que acompanha a banda como Nirvana a um meninão de 19 anos da Avenida Paulista, seria a única música próxima de arrancar o ouvinte para um “que isso que tá tocando aqui na sua sala?”. Tudo bem que ao ouvir o nome da banda e perceber que é tudo tão complicadamente fácil de se entender esta pessoa mudaria de assunto perguntando onde tem Açúcar ou Adocante**. Certamente, meus caros, a sede por algo forte deverá ser combatida com algo que o Rio de Janeiro tá longe de saber produzir. Mesmo que o anfitrião, bonachão de si próprio, o típico carioca da tendência, indique uma das opções (açúcar ou adoçante), é possível que o ouvinte um pouco mais esperto saiba bem onde está caindo: em um cenário desolador de uma cidade que há muito tempo sente o peso de ser ex-capital e ex-centro da cultura nacional. O fato é que o RJ criou um clube da esquina bem próprio: aqui, não se transgride com o gosto nostálgico de um passado que é a própria terra e as referências dela frente ao medo e tesão pelo futuro, como faziam Milton, Borges. O clubinho da ex-quina, não ganhará na sena (na cena, tampouco) tão cedo – voltando, assim, pra cadeira do escritório depois de fazer uma ligação pra combinar aquela horinha no estúdio do bróder.

De alguma forma, a Luisa Mandou Um Beijo se articula com o underground mais recente do Rio de Janeiro. Mas dura poucos segundos. São dois ou três segundos, aqui ou acolá ou em quase todas as faixas, de uma guitarrinha pra você lembrar da Pelvs. Mas a infantilidade – que jaz nesse álbum muito mais imatura em sua forma do que propriamente em um código – é um dos maiores fiascos da banda. Flavia Muniz não é cantora, nem condutora, nem instrumento, nem canal; não há simultaneidade cinematográfica em suas construções de letra; pior, não se faz aqui esforço pra nada. “Onde a banda quer chegar?”, poderia perguntar este texto. Não vai. Tá bem claro a relação daquelas músicas no encarte: é o suor de um técnico de informática, de uma ex-estudante de jornalismo, de um administrador de empresas. Em comum, a vontade de fazer música, assim, sabe, despreocupada. Está tudo vazio no apartamento. No chão, um post-it circa 1999 assinado por Luisa informa que o aluguel do apê no Catete tá atrasado uns 20 anos. Alguém aí vai ter que pedir ao pai o dinheiro da hipoteca.

Isso é muito sério. Mas, para dar um tom mais merendeira vintage, merendeira sépia pra esta resenha, então nota 0.5 – para combinar com o grafite da lapiseira escolar.

*Erro 403

**Música de Cícero, cantor que vem mandando beijos atualmente.

  • Ronaldo

    Conheci o site hoje (01/05/2012) e não volto nunca mais. Quem você pensa que é para falar tanta bobagem, desrespeitando artistas com um texto confuso e pretensioso?
    Em 2 parágrafos já dá pra perceber a sua arrogância e seu egocentrismo. Na sua visão do espelho, o que importa é o seu texto. É ser engraçado e cult. Sofisticado e sarcástico. Baixa essa bola, Yuri. Olha pro próprio rabo antes de querer destruir os outros.

    • Yuri de Castro

      Lamentamos a sua ausência nos próximos dias, Ronaldo. No entanto, aviso, está em defasagem conceitual o uso de “quem você pensa que é”. Logo encontre um novo porto seguro de leitura, evite o questionamento por uma questão de século XXI.